O Governo do Acre autorizou a destinação de R$ 2 milhões para o futebol acreano em 2026, conforme a Lei nº 4.779, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE). O investimento tem como objetivo apoiar a realização das competições organizadas pela Federação de Futebol do Acre (FFAC) e fortalecer o desenvolvimento do esporte no estado.
Os recursos serão utilizados para custear premiações, cotas de participação para clubes e despesas relacionadas às competições estaduais. O apoio contempla a primeira e segunda divisão do futebol profissional masculino, além de campeonatos femininos e categorias de base, como sub-20, sub-17, sub-15, sub-13 e sub-11.
Pela divisão prevista na lei, cada um dos oito clubes participantes da primeira divisão do Campeonato Acreano receberá R$ 50 mil, além de premiações específicas para os três primeiros colocados da competição.
De acordo com o presidente da Federação de Futebol do Acre (FFAC), Adem Araújo, o convênio entre o governo e a federação já ocorre há mais de duas décadas e segue o mesmo modelo adotado em anos anteriores.
“Esse convênio existe há mais de 20 anos, desde o tempo do governo Jorge Viana. A federação participa do plano de trabalho na distribuição dos recursos, mas a última palavra é da Secretaria de Esportes. Não mudou nada, é uma sequência do que vem sendo feito todos os anos”, explicou.
Segundo o dirigente, metade do valor é destinada ao futebol profissional e a outra parte às categorias de base, ajudando a manter o calendário esportivo no estado.
“O futebol é caro. Os clubes aqui no estado fazem competições com pouco recurso, mas o valor que a gente recebe é muito importante. Ele ajuda a dar condições para que os clubes se mantenham em atividade e consigam disputar as competições”, afirmou.
A federação também será responsável por intermediar a distribuição dos recursos, de acordo com o desempenho das equipes nas competições.
Avaliação dos clubes
Entre os clubes, o apoio é visto como positivo, mas ainda distante de suprir as necessidades financeiras para manter equipes competitivas ao longo da temporada.
O diretor do Santa Cruz-AC, Léo Raches, afirmou que a ajuda é importante, mas cobre apenas uma parte dos custos de um clube.
“É uma iniciativa positiva, porque demonstra preocupação em apoiar o futebol local. Porém, na prática, sabemos que esse valor ainda é muito limitado diante das necessidades que um clube tem para disputar uma competição estadual com estrutura”, avaliou.

Segundo ele, as despesas de um clube vão muito além da inscrição no campeonato.
“Hoje um clube tem gastos com salários de atletas e comissão técnica, alimentação, transporte, material esportivo, taxas e logística de jogos. Os R$ 50 mil acabam sendo mais um apoio inicial do que algo que realmente sustente a participação no campeonato”, explicou.
Na avaliação da diretoria do Santa Cruz, um valor mais próximo de R$ 200 mil por clube seria mais adequado para garantir melhores condições de disputa no estadual.
Desafios financeiros
O presidente do Galvez, Igor, também reconhece a importância do incentivo, mas afirma que o recurso não resolve os principais desafios enfrentados pelos clubes acreanos.
“Não resolve, mas com certeza ajuda, principalmente diante da dificuldade de captar patrocínios. Muitos clubes dependem basicamente das cotas da CBF e desse incentivo do governo do Estado”, destacou.

Ele explica que o valor costuma cobrir apenas parte dos custos iniciais da temporada.
“Em uma realidade de montagem de elenco competitivo, esse valor ajuda mais nos custos administrativos da pré-temporada, como hospedagem, passagens aéreas, transferência de atletas e alimentação”, disse.
Para o dirigente, um modelo com maior separação de recursos entre futebol profissional e categorias de base poderia fortalecer o desenvolvimento do esporte no estado.
Incentivo ao calendário
Além das competições profissionais, o recurso também prevê apoio ao campeonato de seleções municipais sub-17, à arbitragem do Campeonato Acreano, à crônica esportiva e ao campeonato amador adulto, incluindo despesas de logística e prestação de serviços.

O investimento será executado por meio de convênio entre o governo estadual e a Federação de Futebol do Acre, com recursos provenientes da Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer (Seel).
Segundo a federação, a previsão é que os valores comecem a ser liberados ainda no mês de março, garantindo a realização das competições previstas no calendário do futebol acreano em 2026.
Disparidade regional no futebol
A disparidade entre os grandes clubes do “eixo” e equipes periféricas vai além do campo; é, sobretudo, estrutural e financeira. Times do Sul e Sudeste concentram maiores investimentos, patrocínios robustos e acesso facilitado a políticas de fomento que consolidam sua hegemonia no esporte.

Para equilibrar esse cenário, muitos estados utilizam leis de incentivo ao esporte para canalizar recursos públicos e renúncia fiscal a projetos que vão da base ao profissional. O impacto é massivo: nacionalmente, essa ferramenta já capta mais de R$ 1 bilhão por ano, abrangendo desde iniciativas educacionais até o alto rendimento.
Alguns estados adotam programas mais agressivos de investimento direto no futebol de base. No Maranhão, por exemplo, o governo anunciou recursos específicos para escolinhas ligadas a clubes do campeonato estadual, com investimentos que podem chegar a R$ 250 mil por projeto, voltados à formação de jovens atletas.
Além de revelar talentos, o esporte movimenta a economia local e fortalece a identidade regional, o que faz do investimento no setor uma estratégia que pode trazer retorno esportivo, social e até político para o estado.



