A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o transporte coletivo em Rio Branco enfrenta resistência na Câmara de Vereadores e pode nem sair do papel. Até o momento, apenas cinco parlamentares assinaram o pedido, número insuficiente para a abertura da investigação.
A iniciativa foi defendida pelo vereador Neném Almeida (MDB), que classificou o sistema de transporte público da capital como “um caos” e criticou colegas que não apoiaram a proposta.
“Esses mesmos vereadores que deram dinheiro para rico não querem uma CPI para investigar para onde foi esse dinheiro”, afirmou.
Para que a CPI seja instaurada, são necessárias mais duas assinaturas. No entanto, o próprio parlamentar admite que a possibilidade é pequena.
“Se você perguntar se eu acredito que alguém vai assinar, eu não acredito. Infelizmente, tudo termina em pizza”, disse.
Problemas no sistema e suspeitas
O debate ganhou força após declarações do proprietário da empresa Ricco Transportes, responsável pelo serviço na capital. Segundo ele, os recursos repassados pela prefeitura não são suficientes para manter a operação, que estaria em prejuízo.
A empresa também teria uma dívida de cerca de R$ 1 milhão e corre o risco de perder parte da frota. As informações causaram preocupação entre vereadores e reforçaram os pedidos de investigação.
Outro ponto que chama atenção é uma cláusula do edital de licitação que permite que a atual empresa continue operando por até seis meses, mesmo que uma nova concessionária vença o processo.
Para o vereador Zé Lopes (PR), a situação da empresa já deveria ter levado a medidas mais duras por parte da prefeitura.
“Uma empresa dessa já deveria ter sido declarada inidônea. A gente tem que olhar a saúde financeira, porque é um contrato de 10 anos que vai transportar milhões de pessoas”, afirmou.
Ele também defende que mais de uma empresa opere o sistema, como forma de evitar a dependência de um único grupo.
Impasse político
Já vereadores da base do prefeito não demonstraram interesse em avançar com a investigação. Para o vereador Márcio Mustafá (PSDB), eventuais irregularidades devem ser apuradas por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas ou o Ministério Público.
“O edital não tem vício. A equipe técnica da prefeitura é organizada e o prefeito trabalha dentro das quatro linhas”, disse.
Com o baixo número de assinaturas e a resistência da base governista, a CPI do transporte público deve enfrentar dificuldades para avançar.
Enquanto isso, o sistema segue sendo alvo de críticas da população e de parte dos parlamentares, em meio a questionamentos sobre a qualidade do serviço e a aplicação de recursos públicos.
Com informações de João Cardoso, para a TV Gazeta



