A Justiça do Trabalho determinou o bloqueio de veículos de empresas ligadas ao grupo da Ricco Transportes após ação movida pelo sindicato dos motoristas. A medida busca garantir o pagamento de dívidas trabalhistas, que incluem salários atrasados, falta de recolhimento do FGTS e descontos de empréstimos não repassados aos bancos. O caso se arrasta após paralisação dos trabalhadores, que afetou o transporte público na capital acreana.
O proprietário da Ricco Transportes, Everson Dias, atribuiu a crise a um desequilíbrio financeiro nas operações. Segundo ele, a arrecadação não cobre os custos mensais, o que resultou em prejuízos acumulados.
“Hoje o que a gente arrecada e o que gasta não cobre. Nós temos um déficit aí na faixa de 500, 600 mil mês. No último ano agora nós tivemos 8 milhões, quase 8 milhões e 900 mil prejuízos”, afirmou.

Diante do risco de não pagamento das dívidas, a Justiça decidiu ampliar o bloqueio para veículos registrados em nome de outras empresas ligadas ao mesmo grupo econômico. A investigação identificou que, embora apresentem diferentes proprietários, as companhias possuem vínculo societário com Everson Dias e Bruna Dias.
O levantamento apontou que, dos 120 ônibus em circulação em Rio Branco, apenas 31 estão registrados no nome da Ricco Transportes. Outros veículos estão distribuídos entre empresas como JB Veículos, Up Diesel e outras companhias do grupo, além de pessoas físicas. Esses bens agora não podem ser vendidos, transferidos ou retirados do estado.
A decisão também alcança veículos de passeio e caminhões registrados em empresas como Expresso Auge Transporte, Moreira Peças e Serviços, W Brasil Transportes, Rotrans e GFM Turismo, além de outros proprietários identificados. Os bens poderão ser usados futuramente para quitar a dívida com os trabalhadores.
A Justiça ainda constatou que a Ricco não possuía frota suficiente para operar na capital. Para cumprir contrato com a Prefeitura de Rio Branco, a empresa recorreu à locação de ônibus de outras empresas, com previsão de compra futura.
Parte desses veículos já foi retomada por credores. O Banco Caruana conseguiu recuperar 30 ônibus por meio de decisão judicial. Outra empresa, a Expresso São José, de Goiânia, também retomou parte da frota e cobra na Justiça cerca de R$ 3 milhões referentes a parcelas em aberto.
Com parte dos veículos já sob disputa judicial e sem pertencimento direto à Ricco, a Justiça avalia que o patrimônio do grupo pode não ser suficiente para quitar integralmente a dívida trabalhista.
Com informações do repórter Adailson Oliveira e editado pelo site Agazeta.net.



