Após uma paralisação total dos motoristas da empresa Ricco Transportes, o município de Rio Branco amanheceu sem nenhum ônibus circulando na cidade na manhã desta quarta-feira,22. Diferente de outras mobilizações, em que parte da frota continuava operando.
A paralisação foi organizada pelos próprios trabalhadores, que reclamam de atrasos salariais e falta de pagamento de benefícios. No terminal urbano, não havia veículos estacionados, já que todos permaneceram nas garagens.
Segundo o advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre (Sinttpac), Renato Tavares, a categoria enfrenta uma situação crítica.
“Pelo sindicato, a gente está em greve, respeitando o mínimo legal da lei de greve. Agora, acontece que ontem teve uma reunião, a empresa não passou qualquer posição de pagamento para os trabalhadores. E assim, não existe condição deles trabalharem, não é que não queiram, não existe condição. São trabalhadores há praticamente 50 dias sem ver dinheiro, porque só receberam lá de fevereiro. Não recebem o vale-alimentação, sacolão, cesta básica, não recebem adiantamento salarial. O vale-alimentação são dois meses sem receber”, afirmou.
O advogado também destacou os impactos sociais da situação enfrentada pelos trabalhadores. “Então, a gente já tem trabalhadores entrando em insegurança alimentar. Você não tem condição física para vir trabalhar, você não tem condição psicológica para vir trabalhar, porque aqui a gente está pensando só no trabalhador, mas tem também todo mundo que depende do trabalhador, da família dele, do filho, da esposa, às vezes da mãe. São trabalhadores que muitas vezes sustentam a família inteira. Então, não existe condição física nem psicológica para poder vir trabalhar.”
Ainda de acordo com ele, muitos profissionais já estão com o nome no Serasa. “E é tão grave que muitos deles já se endividaram, pegaram empréstimos justamente para poder suprir essas lacunas e, além do mais, a empresa não repassa esses empréstimos para o banco. Desconta deles, os nomes já foram para o Serasa, não conseguem mais linhas de crédito. Ou seja, não tem mais o que fazer, é desesperadora a situação dos trabalhadores.”
Sobre a posição da empresa, o advogado explicou que a prefeitura da capital tem um repasse para ser feito, mas até o momento não foi executado. “Eles jogam toda essa responsabilidade, todo esse risco na conta do trabalhador.”
O presidente do Sinttpac, Antônio Neto, afirmou que o movimento ultrapassou os limites da greve organizada pela entidade.
“Olha, como o doutor falou, a nossa negociação, a gente estava em greve dentro dos parâmetros legais, e os trabalhadores resolveram cruzar os braços. A gente falou para eles que o sindicato não pode se envolver por causa da questão da Justiça, mas a gente é solidário à paralisação deles, que é justa. Mas a gente não pode estar à frente desse movimento porque a gente estava fazendo dentro da legalidade, que é os 30% e 50%.”
Segundo ele, a decisão da categoria é clara: só retornar ao trabalho com o pagamento dos salários. Mesmo com com o prefeito Allyson Bestene dizendo que o impasse será resolvido até sexta-feira (24).
“Inclusive o prefeito esteve lá na garagem hoje para conversar com o pessoal, e nem assim o pessoal resolveu voltar a trabalhar. Eles só voltam a trabalhar com o pagamento do mês de março e o adiantamento, no mínimo, do mês de abril, que era para ter sido pago no dia 20.”
A situação segue sem previsão de normalização, e a categoria aguarda uma solução para o impasse no transporte público da capital.
Com informações da repórter Débora Ribeiro para a TV Gazeta



