O secretário de Estado de Governo, Luiz Calixto, criticou duramente a postura da Prefeitura de Feijó ao comentar reclamações sobre a situação da infraestrutura urbana do município. Em entrevista ao programa Gazeta Entrevista, Calixto afirmou que o governo estadual tem atuado em parceria com as prefeituras, mas destacou que algumas atribuições são de responsabilidade exclusiva dos gestores municipais.
A declaração mais contundente foi direcionada à administração de Feijó, que, segundo ele, estaria tentando atribuir ao Estado problemas que cabem ao município resolver.
“Se um prefeito se elege e não tem a menor condição de sequer fazer um tapa-buraco na cidade, é melhor ele largar o cargo e entregar para outro”, afirmou.
Durante a entrevista, Calixto revelou que o governo recebeu uma notificação do Ministério Público questionando quais providências seriam adotadas para solucionar os buracos nas ruas de Feijó. Na avaliação do secretário, o questionamento deveria ser encaminhado à prefeitura.

“Com todo respeito ao promotor, eu acho que ele deveria redirecionar esse ofício para o prefeito”, disse.
Segundo o secretário, o governo estadual tem mantido apoio aos municípios, inclusive em Feijó. Entre as ações citadas estão a recuperação de ramais, doação de massa asfáltica e convênios para fornecimento de combustível.
De acordo com Calixto, somente no ano passado o Estado executou 222 quilômetros de ramais no município e destinou 900 toneladas de massa asfáltica para a prefeitura.
“Não dá para terceirizar os problemas”
Ao longo da entrevista, o secretário reforçou que a relação entre Estado e municípios deve ser baseada em parcerias, mas sem que haja transferência de responsabilidades.
Ele argumentou que o governo continuará apoiando as prefeituras acreanas, porém destacou que cada ente público possui competências definidas.
“O governo pode ajudar, pode contribuir, pode ser parceiro. Agora, quem é o prefeito da cidade é aquele que foi eleito. O governo não pode substituir o prefeito”, declarou.
Calixto também afirmou que é natural que os municípios enfrentem dificuldades financeiras, mas defendeu que isso não pode servir como justificativa para a falta de ações básicas de gestão.
“Nós entendemos que os municípios precisam do Estado, assim como o Estado precisa da União. Mas nós não podemos terceirizar os nossos problemas. O Estado não pode culpar o governo federal por tudo, assim como a prefeitura não pode culpar o Estado por tudo”, afirmou.
Apesar das críticas, o secretário garantiu que o governo estadual continuará celebrando convênios e apoiando os municípios acreanos em diversas áreas.
Segundo ele, todas as 22 prefeituras do Acre possuem demandas e necessidades que exigem cooperação institucional. No entanto, ressaltou que a população sabe diferenciar as responsabilidades de cada gestor.
“Cada um no seu quadrado, cada um dentro das suas atribuições”, concluiu.



