O candidato Lucas Maia de Oliveira Rocha, de 22 anos, afirma ter recebido uma prova com questões de Conhecimentos Específicos incompatíveis com o cargo para o qual havia se inscrito no concurso público da Universidade Federal do Acre (Ufac). Ele concorria à vaga de Assistente em Administração, mas diz ter identificado, no rodapé das páginas do caderno de prova, a inscrição “Técnico em Laboratório – Área: Biologia”.
A prova foi aplicada no dia 31 de maio de 2026, na Escola Neutel Maia, em Rio Branco. De acordo com o cartão de convocação individual, Lucas estava inscrito para o cargo de Assistente em Administração, na modalidade ampla concorrência.

Segundo o candidato, a suspeita começou cerca de 30 minutos após o início da prova, quando ele passou a responder as questões de Conhecimentos Específicos. Ele afirma que o conteúdo não correspondia ao programa previsto no edital para Assistente em Administração.
“Percebi que as questões de Conhecimentos Específicos não correspondiam ao conteúdo previsto no edital para o cargo de Assistente em Administração. Diante da situação, chamei uma fiscal de sala e informei que havia algo errado com a prova. A orientação que recebi foi apenas para concluir a avaliação e apresentar recurso posteriormente”, relatou.
Lucas afirma que continuou a prova, mas voltou a analisar o caderno com mais atenção. Foi então que, segundo ele, percebeu que as páginas das questões específicas traziam no rodapé a identificação de outro cargo.

“O mais surpreendente é que a capa da prova indicava que ela era destinada ao cargo de Assistente em Administração, cargo para o qual eu havia me inscrito”, disse.
Após constatar a informação, o candidato afirma que comunicou novamente a fiscal de sala. A coordenadora responsável pela aplicação da prova na unidade teria sido acionada. Lucas diz que pediu que o caso fosse registrado em ata, por considerar que se tratava de uma falha grave.
De acordo com ele, a solicitação foi negada.
“A coordenadora se recusou a registrar o fato, afirmando que havia apenas uma ata destinada a casos de desclassificação de candidatos. Segundo ela, iria entrar em contato com a banca organizadora para buscar orientações. Após se ausentar da sala e retornar algum tempo depois, manteve a decisão de não registrar a ocorrência”, afirmou.
Em relato formal encaminhado para apuração, Lucas também afirma que outro candidato na mesma sala teria identificado a mesma irregularidade e comunicado a situação à equipe de aplicação. Segundo ele, esse outro participante deixou o local cerca de uma hora e meia após o início da prova.
“Foi um momento de desespero”
Lucas trabalha como auxiliar administrativo e diz que estudou por aproximadamente seis meses para o concurso. Durante esse período, conciliou a preparação com a rotina profissional e afirma ter investido em curso presencial, plataforma online e materiais de estudo.
“Em muitos dias, dormia por volta da meia-noite e acordava às 4 horas da manhã para conseguir cumprir meu cronograma de estudos. Foram meses de esforço, disciplina e renúncias pessoais”, contou.
O candidato afirma que a situação causou frustração e sentimento de impotência.
“Foi um momento de desespero, frustração e impotência. Depois de tantos meses de dedicação, perceber que eu não teria a mesma oportunidade que os demais candidatos foi extremamente doloroso”, disse.
Segundo Lucas, além da taxa de inscrição de R$ 60, houve gastos com materiais, deslocamento e preparação. Ele afirma que o prejuízo não foi apenas financeiro, mas também emocional e de tempo.
Após a prova, o candidato diz ter buscado os meios administrativos para que o caso fosse analisado. Ele afirma que abriu processo pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI) da Ufac e também procurou a Defensoria Pública da União para orientação jurídica.
“Não busco privilégios, apenas a oportunidade de realizar a prova correta em condições de igualdade”, afirmou.
O que diz a banca
Procurado pela reportagem, o Instituto ACCESS informou que tomou conhecimento do relato apresentado pelo candidato, recebeu o recurso administrativo e realizou as análises necessárias no âmbito administrativo, com apuração interna dos fatos narrados e verificação dos procedimentos adotados pela equipe de aplicação do concurso.
A banca afirmou ainda que, por se tratar de questionamento e recurso administrativo individual, o caso seguiu os ritos previstos no edital de abertura, pelas vias competentes, com observância das normas e dos princípios da administração pública.
“Por se tratar de demanda envolvendo candidato específico e um caso isolado, cujas informações já foram repassadas aos interessados, não serão divulgados detalhes adicionais no momento”, informou o Instituto ACCESS.
A organizadora também ressaltou que o concurso foi aplicado para mais de três mil candidatos, “sem nenhuma ocorrência”. Segundo a banca, a análise dos recursos aos gabaritos, os gabaritos definitivos e o resultado preliminar das provas objetivas foram divulgados conforme o cronograma previsto.
Por fim, o Instituto ACCESS reafirmou compromisso com a transparência, a isonomia e os princípios constitucionais que norteiam a administração pública e os processos de seleção de pessoal.
Concurso
O concurso público da Ufac, foi aberto para provimento de cargos técnico-administrativos em educação. Entre as vagas ofertadas estavam os cargos de Assistente em Administração e Técnico em Laboratório/Área: Biologia, ambos de nível de classificação D.
O edital prevê a realização de provas objetivas de múltipla escolha, de caráter eliminatório e classificatório, aplicadas a todos os cargos.
Lucas afirma que espera uma apuração transparente e uma solução que preserve a igualdade entre os candidatos.
“Acredito que as autoridades competentes devem avaliar as medidas adequadas para reparar os prejuízos causados e preservar a credibilidade do concurso público”, declarou.



