Em encontro com artistas e intelectuais, a mesma retórica
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de encontro com artistas e intelectuais do Rio de Janeiro para tratar de política. Ao lado do ex-chanceler e atual candidato petista ao governo do Rio, Celso Amorim, Lula apostou na velha retórica do “self made man” saído de Caruaru que chegou à Presidência. Em campanha aberta ao retorno ao Planalto falou, bem ao estilo Lula. “Estou indo encontrar o Ponto G do povo brasileiro”, anunciou para delírio de educadores e cientistas.
A história do homem que saiu do sertão pernambucano e passou a ser a cara dos excluídos do lado de baixo do Equador ainda seduz muita gente. E contaminou discursos Brasil afora. Aqui mesmo no Acre já começa a fazer os primeiros estragos nas modestas biografias locais: um candidato se apressa a dizer que a mãe cortava cabelo para garantir o sustento; outro diz que vendia quibe em tabuleiro com a pimenta em frasco de xarope; aquele mais adiante abarca que viveu dias de guerra na Baixada da Sobral… e a verdade segue sendo moldada às conveniências.
Nesse aspecto, Lula tem larga vantagem. As referências que a exclusão social lhe tatuou moldaram muito da política econômica que ele executou na condução do Planalto. A cantilena do fogão de duas bocas; da casa alagada; da luz à base de querosene, em certa medida, motivaram a condução da economia fundamentada no consumo.
Daí os símbolos ditos com orgulho: geladeira, fogão de 4 bocas, liquidificador (“para fazer sorvete de goiabada ou sei lá o quê!”), máquina de lavar. Nesse aspecto, ele está sendo verdadeiro. É fato que houve aumento do consumo desses bens. O problema foi o custo desse populismo fiscal. Essas decisões na área tributária tiveram um preço.
Houve um momento de lucidez quando o ex-presidente ampliou o debate a respeito de um tema muito caro à sociedade brasileira atualmente: a Segurança Pública. Ele não tratou do assunto unicamente pelo critério policial. Ele relacionou o problema da Segurança com outras ações de Governo, como geração de emprego, distribuição de renda e de riqueza.
Quando a câmera que registrava a plateia (provavelmente a filmagem feita pela assessoria do partido), um problema ficou exposto. Não é um problema exclusivo do PT e nem tampouco do PT fluminense. A imagem mostrava que a maior parte dos que aplaudiam, riam e se renovavam com a fala do líder tinha as cabeças brancas, branquinhas. Os rostos já riscados pelo tempo. Sorrisos que tantas vezes já desnudaram a simpatia pelas mesmas histórias do mesmo líder.



