Dados da fundação referem-se ao ano de 2016
A Fundação Abrinq fez um retrato da violência relacionada ao jovem no país. O Acre é o quinto mais violento para a juventude. O relatório aponta que 79 pessoas com até 19 anos foram assassinadas em 2016, ano de referência para análise. Esse número representa 21,9% dos 361 homicídios naquele ano.
Amapá lidera: 26,6% dos 379 homicídios no estado em 2016 tiveram jovens de até 19 anos como vítimas. Espírito Santo é o segundo, com 23,8% de jovens mortos. Alagoas, com 1820 assassinatos, teve 432 jovens mortos (23,7%).
Os números fazem parte da publicação Cenário da Infância e da Adolescência no Brasil. São 20 indicadores sociais (relacionados às crianças e aos adolescentes) que a fundação leva em conta. É um conjunto estatístico representativo porque as crianças e os adolescentes já somam 33% da população total do país.
“No recorte que abrange a faixa etária de 0 a 14 anos, por exemplo, o estudo revela que ainda há 17,3 milhões de crianças e adolescentes – equivalente a 40,2% desse universo – vivendo em situação domiciliar de pobreza”, contabiliza o material de divulgação da Abrinq. “Entre as regiões que apresentam a maior concentração de pessoas que vivem com renda domiciliar per capita mensal igual ou inferior a meio salário mínimo, o Nordeste e o Norte do país continuam apresentando os piores cenários, com 60% e 54% das crianças, respectivamente, vivendo nessa condição”.
A Fundação relaciona esse cenário de pobreza e miséria com a Segurança Pública. Para a Abrinq, 5,8 milhões de crianças de 0 a 14 anos (13,5%) vivem na miséria no Brasil.
“A estatística é melhor compreendida quando reveladas as condições de vida das famílias brasileiras: 55 milhões de pessoas, algo como 30% da população, vivem em situação de pobreza no Brasil, sendo que 18 milhões deste total se encontram em situação de extrema pobreza”, continua o relatório.
Homicídios
A publicação Cenário da Infância e da Adolescência mostra que 18,4% dos homicídios cometidos no Brasil em 2016 vitimaram menores de 19 anos de idade – quase sempre (80,7%) assassinados pelo uso de armas de fogo. O Nordeste concentra a maior proporção de homicídios de crianças e jovens por armas de fogo (85%) e chega a superar a proporção nacional, chegando a 19,8% de jovens vítimas de homicídios sobre o total de ocorrências na região.
A Fundação Abrinq também constatou que os piores indicadores sociais estão nas regiões que mais concentram crianças e adolescentes no Brasil:
Os indicadores selecionados para o Cenário da Infância e da Adolescência podem ser encontrados também no portal criado pela Fundação Abrinq “Observatório da Criança e do Adolescente” (observatoriocrianca.org.br), onde os dados são apresentados por estados e municípios, podendo ser feita comparação entre eles.
Como na edição anterior, a publicação deste ano também apresenta a Pauta Prioritária da Infância e Adolescência no Congresso Nacional, com as principais proposições legislativas em trâmite no Senado Federal e Câmara dos Deputados e os respectivos posicionamentos da Fundação Abrinq, sempre baseados na efetivação e proteção de direitos da criança e do adolescente no Brasil.



