Proporcionalmente, AC mata mais jovens que RJ
Estudo da Fundação Abrinq mostra que o Estado do Acre é o quinto mais violento quando as vítimas de homicídios são crianças e jovens abaixo dos 19 anos. Foram analisados 20 indicadores sociais que expõem a ineficiência da gestão pública em várias áreas da administração.
Os dados são de 2016 e mostram que foram 361 homicídios nesses períodos. São 21,9%, ou 79 jovens mortos. Proporcionalmente, morrem mais jovens no Acre que no Rio de Janeiro que tem três vezes mais o número de homicídios.
O que mais preocupa é que a escalada da violência só vem crescendo. Em 2010, 35 foram jovens assassinados, seis anos depois esse número dobrou no Acre.
O professor da Universidade Federal do Acre Nilson Euclides questiona as políticas adotadas no Acre para a Juventude. Não existem empregos e a Construção Civil, que mais absorvia a mão de obra, está falida.
Programas de incentivo ao esporte não existem. “Sem perspectiva, os jovens estão buscando caminho na criminalidade. Com isso, vem o crescimento das mortes”, relatou.
Entre os municípios, Rio Branco lidera a violência. Dos 79 homicídios de 2016, 56 foram na Capital. O restante ficou espalhado entre os outros 21 municípios. Até regiões isoladas não ficaram livre da violência, dois jovens foram mortos em Jordão, por exemplo.
Outro dado da pesquisa mostra que 80% dos homicídios foram por arma de fogo.
O professor da Ufac disse ainda que o Brasil está sem saída para o problema da violência contra os jovens. Tanto no Acre como no restante do país não existem políticos preparados e com interesse de enfrentar esse problema que está dizimando uma geração inteira.
A Abring trouxe dados revelando que em todo Brasil 55 milhões de pessoas vivem na pobreza e 18 milhões estão na extrema pobreza.
Na região Norte, 44,6% dos moradores vivem sem água tratada, outros 79,8% sem rede de esgoto. Há ainda 15% dos jovens abandonam as escolas e 17,5% das adolescentes são mães, enquanto 1/3 dos exames de pré-natal não são feitos de forma adequada.
Sem renda e sem perspectivas, a tendência é que os indicadores fiquem cada vez piores. A tendência é de que mais jovens morram de forma violenta.



