A indignação provocada pelo desabamento da Ponte Frei Paolino Baldassari levou moradores de Sena Madureira a interditarem a BR-364 na manhã desta quinta-feira (11). O protesto ocorreu no acesso ao bairro Niterói, no Segundo Distrito do município, e reuniu famílias, estudantes, trabalhadores e produtores rurais que cobram providências imediatas para garantir a travessia sobre o Rio Iaco.
Com pneus espalhados na pista e cartazes de protesto, os manifestantes bloquearam os dois sentidos da rodovia, provocando filas de veículos e caminhões. Segundo informações repassadas por moradores, a mobilização continuou ao longo do dia.

A principal reclamação é a dificuldade enfrentada pela população desde a queda da ponte, que era a principal ligação entre o Centro da cidade e o Segundo Distrito. Sem a estrutura, moradores passaram a depender de catraias e de rotas alternativas mais longas para chegar ao trabalho, à escola e realizar atividades do dia a dia.
Revolta após tragédia
O protesto acontece menos de uma semana após o desabamento da ponte, ocorrido na noite da última sexta-feira (5). A estrutura havia sido interditada no dia anterior após o surgimento de rachaduras consideradas preocupantes.

No momento do colapso, quatro pessoas estavam sobre a ponte após ultrapassarem o bloqueio de segurança. Todas ficaram feridas. Entre elas está o ex-juiz Edinaldo Muniz dos Santos, que segue internado em estado gravíssimo.
O caso repercutiu nacionalmente e intensificou as cobranças por respostas sobre as causas do desabamento de uma obra inaugurada há pouco mais de dois anos.
A travessia por catraias tem sido apontada como insuficiente para atender a demanda diária, especialmente nos horários de maior movimento. Muitos moradores relatam atrasos e dificuldades para se deslocar entre o Segundo Distrito e o restante do município.
A preocupação também atinge produtores rurais que dependem do acesso para escoar mercadorias e estudantes que precisam atravessar o rio diariamente.
Empresa tem prazo para apresentar plano
Enquanto a população cobra respostas nas ruas, a Justiça determinou que a construtora responsável pela obra apresente, no prazo de cinco dias, medidas emergenciais para minimizar os impactos causados pelo desabamento. O prazo estabelecido pela decisão judicial vence nesta quinta-feira.
Paralelamente, a Polícia Civil, o Ministério Público do Acre e órgãos técnicos continuam apurando as causas do colapso da estrutura. Entre as hipóteses analisadas estão possíveis falhas estruturais e o fenômeno conhecido como “terras caídas”, processo erosivo comum nas margens dos rios amazônicos.
Até o momento, não havia posicionamento oficial do governo do Estado ou da Prefeitura de Sena Madureira sobre a manifestação realizada pelos moradores.
Matéria escrita com informações do repórter João Cardoso, para a TV Gazeta.



