Governo Federal precisa rever política indigenista
O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) fez um relatório mapeando a violência contra as populações indígenas de todo país. Os dados apontam que o Brasil precisa reavaliar a política indigenista.
O documento apontou que, no Acre, houve casos de lesões corporais dolosas, quando existe a intenção de agredir. Foram dois registros em Santa Rosa, quando um cacique e a esposa foram agredidos por jovens quando iam para um velório.
Houve uma ameaça de morte em Plácido de Castro a outro cacique por causa de terra. Em Cruzeiro do Sul, existe um caso de assédio sexual a uma jovem índia que foi morar na casa de uma família.
Com relação a racismo, um caso foi registrado na Universidade Federal do Acre, no campus de Cruzeiro do Sul. Uma aluna na etnia Arara recebeu uma carta carregada de ofensas e discriminação pelo fato de estar matriculada na universidade.
Tem ainda os casos de mortalidade infantil. No Acre, tiveram cinco mortes de crianças com menos e 5 anos de idade. As causas são diarreias de origem infecciosa.
O caso de um índio que cometeu o homicídio aconteceu em Santa Rosa do Purus. Durante a caça, atirou no próprio irmão.
Já índios vítima de homicídio foram três casos no Acre. Um deles chama a atenção. Aconteceu no bairro Caladinho em Rio Branco. Um jovem índio envolvido em facções criminosas foi assassinado e corpo enterrado em uma cova rasa.
O CIMI também avaliou a situação dos povos livres, que vivem na região da fronteira com o Peru. Os índios isolados estão expostos à violência dos madeireiros e narcotraficantes.
No relatório, o conselho quer o fim do contato do não índio com esses povos. Existem casos em que índios que foram contatados vieram morar na periferia de Rio Branco. Outros estão em Feijó e não querem voltar para suas aldeias. O CIMI acredita que esses contatos vão dizimar esses povos livres.
A exploração ilegal dos recursos naturais já chegou em 8 terras indígenas e viraram terras de conflitos por causa da caça, derrubada ilegal de madeira que em muitos casos vem disfarçado de manejo florestal.
Procuramos o representante do CIMI para falar sobre a pesquisa, mas o coordenador e o vice estão fora do Acre. Na Funai, ninguém quis falar sobre os dados do relatório que trazem, também, o problema indígena quanto ao atendimento à Saúde.
O conselho denuncia que existem casos em que índios estão morrendo por falta de atendimento adequado, mesmo com o grande volume de recursos que chega para a Saúde Indígena. Dois casos de morte foram parar na Justiça acusando o Estado de omissão e negligência médica, depois que um índio e uma índia morreram sem assistência adequada. Em outros seis casos, os indígenas ainda esperam o tratamento ou a cirurgia.
Outro dado preocupante é o aumento do número de suicídio nas aldeias. Em todo Brasil, foram registrados 128 casos, cindo deles no Acre. Mas esse número pode ser maior: o problema é que muitas informações não estão completas.
Procuramos a coordenadora do Distrito Sanitário Indígena situado em Rio Branco. No entanto, estava em reunião e a assessoria disse que “entraria em contato”.
Nos últimos dois anos, já passaram cinco coordenadores no Dsei. A Polícia Federal investiga desvio de recursos da Saúde Indígena. Talvez aí esteja uma das respostas para os números alarmantes levantados pelo Cimi.



