A defesa do pastor Carlos Roberto Carneiro Coutinho afirmou que ele “não assumiu o risco” de matar o árbitro Juan Rhiler Rodrigues Santos, de 23 anos, morto em um acidente na AC-10, em Porto Acre, no ano passado. A declaração ocorre após o Ministério Público do Acre denunciar o pastor por homicídio doloso e pedir que ele seja levado a júri popular.
Segundo o advogado Júnior Feitosa, o caso deve ser tratado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A defesa sustenta que o motorista tentou evitar a colisão e que a ida para a contramão aconteceu após um imprevisto na pista.
“Ele vem na mão dele, a própria marca de frenagem demonstra isso. Ele é levado a ir à contramão. A frenagem demonstra isso. Ele não vinha dirigindo na contramão”, afirmou.
O laudo pericial aponta que a caminhonete conduzida pelo pastor estava a cerca de 66 km/h no momento do impacto. O documento também registra tentativa de frenagem antes da batida.
Para a defesa, a velocidade estava abaixo do limite permitido na rodovia, estimado em 100 km/h.
“A velocidade da via permitida é 100 km por hora, então ele vinha em uma velocidade muito abaixo da permitida da via. Logo, tem 20 metros de frenagem. Não há que se falar que ele tivesse a intenção, ainda que dolo eventual, ou assumisse o risco”, argumentou o advogado.
Ao comentar a acusação, Feitosa explicou que o dolo eventual ocorre quando o motorista prevê o resultado e, mesmo assim, continua agindo.
“Dolo eventual é quando eu posso prever o resultado, mesmo sem querer diretamente. Havia previsibilidade? Não havia”, declarou.
MP pede júri popular
O Ministério Público entende, porém, que há elementos suficientes para enquadrar o caso como homicídio doloso. A denúncia foi apresentada cerca de seis meses após o acidente e também inclui pedido de indenização à família da vítima.
Segundo informações do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), a caminhonete conduzida pelo pastor invadiu a contramão e atingiu frontalmente a motocicleta pilotada por Juan Rhiler.
O jovem morreu ainda no local.
Juan integrava a Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol (Ceaf) desde 2019 e havia apitado, dois dias antes da morte, uma partida do Campeonato Acreano Sub-15.
O pai do árbitro, Fábio Santos, disse que a denúncia representa um primeiro avanço na busca por justiça.
“Crime de trânsito no Brasil é uma cultura da impunidade. A pessoa mata no trânsito e a vida da pessoa que morreu é trocada por cestas básicas. Então a gente tem uma vitória nesse primeiro momento. O caminho e a caminhada ainda vai ser dura em prol de justiça”, afirmou.
Mobilização da família
Após a morte do filho, Fábio Santos passou a realizar manifestações cobrando responsabilização pelo caso. Ele chegou a acorrentar a motocicleta usada por Juan Rhiler em um outdoor com mensagens pedindo justiça.

Também instalou painéis com a foto do jovem em diferentes pontos de Rio Branco e Porto Acre, incluindo áreas próximas ao Tribunal de Justiça do Acre e à entrada da Vila do Incra.
Além disso, anunciou a criação de um instituto com o nome do filho para prestar assistência gratuita a vítimas.



