Mais um capítulo da crise no transporte coletivo de Rio Branco começou a ser escrito. Funcionários da empresa Ricco Transportes iniciaram o processo de desligamento da empresa, que já anunciou que deixará de operar o sistema na capital acreana. O cenário preocupa trabalhadores e o sindicato da categoria, principalmente em relação ao pagamento dos direitos trabalhistas e ao futuro de mais de 500 empregados.
Desde a última quarta-feira, trabalhadores formam filas na sede da empresa para assinar os avisos prévios. Entre os profissionais atingidos estão motoristas, mecânicos e funcionários do setor de apoio, que devem permanecer trabalhando por mais alguns dias até a conclusão do processo de saída da concessionária.
A principal preocupação gira em torno do pagamento das verbas rescisórias e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Segundo informações já levantadas pelos órgãos de fiscalização, a Ricco acumula uma dívida superior a R$ 10 milhões referente aos depósitos do fundo, que não teriam sido realizados desde o início da operação da empresa em Rio Branco, há cerca de três anos.
Sindicato cobra garantias
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes do Acre (Sinttpac), afirmou que a categoria acompanha de perto a situação e revelou que houve um compromisso assumido pelo proprietário da empresa.

“Tivemos uma reunião ontem com a categoria e o empresário se prontificou que até quarta-feira da semana que vem estarão todos feitos os depósitos na conta do trabalhador”, declarou.
O dirigente sindical ressaltou ainda que existe uma ação judicial para impedir que a empresa retire os veículos de circulação ou transfira o patrimônio para fora do estado, garantindo recursos para eventual pagamento das dívidas trabalhistas.
“Tem uma ação que foi proposta pelos sindicatos para que os veículos não saiam, justamente para garantir esse pagamento”, explicou.
A Superintendência Regional do Trabalho realiza um levantamento para dimensionar o valor total devido aos trabalhadores e acompanhará o cumprimento das obrigações por parte da empresa.
Por decisão judicial, a empresa está impedida de retirar os ônibus e veículos menores utilizados no sistema. O objetivo é preservar os bens, que poderão ser usados para ressarcir os trabalhadores em caso de inadimplência.



