Agricultura é setor estratégico para crescimento
As recentes declarações da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, expõem não apenas o estilo, mas as intenções. Ela comanda um dos poucos setores da economia brasileira que é superavitário.
Respondendo por 23% do PIB e por 40% das exportações, a Agricultura senta mais próximo da cabeceira da presidente Dilma. É um setor que, em 2010, viveu um crescimento vertiginoso (devido, sobretudo às importações chinesas).
Em 2014, mesmo como o recuo no mercado de commodities em todo mundo, mostrou eficiência junto ao Planalto. As respostas rápidas são tudo o que o ministério da Fazenda precisa contabilizar, somadas aos ajustes planejados pelo ministro Joaquim Levy.
Nesse contexto, a figura de Kátia Abreu ganha projeção. Todos os estereótipos grudam na assinatura dela: “ruralista”; “de direita”; “a favor do latifúndio” (o mesmo que ela negou existir atualmente no país).
E por que ela se aproximou de um governo retoricamente “de esquerda”? O primeiro motivo foi matemático: a presidente Dilma ampliou possibilidades de crédito ao setor agrícola, mesmo nos momentos mais difíceis. No biênio 2014/2015, a previsão é que o Governo Federal injete R$ 156,1 bilhões.
O segundo motivo guarda relação com as composições políticas. A fome por cargos do PMDB exigiu da presidente Dilma a aproximação estratégica. Só há um problema que pode incomodar o Planalto nos próximos anos. “Ela quer ser presidente”, informa uma fonte ligada a uma representação do setor agrícola. “Ela tem a pretensão”.
Atualmente, o ministério da Agricultura sofre de uma esquizofrenia: o setor agrícola é forte, mas o ministério é fraco. Kátia Abreu sabe dessa relação e quer mudar a sentença. De que forma isso será feito sem ameaçar os planos do Planalto para 2018 é missão para o ministro da Casa Civil, Aloísio Mercadante.
Quando Kátia Abreu fala que “não há mais latifúndio” no Brasil, ela não fala sozinha. Ela está referendada por um setor importante da economia. A frase foi equivocada e mal formulada, mas demonstra que, no ministério da Agricultura, há uma campanha sendo gestada com um comando de muita força.
Junto a Joaquim Levy e Nelson Barbosa, a ministra Kátia Abreu integra uma tríade que seria improvável de compor uma equipe petista. Há parlamentares influentes do Acre que mantém silêncio sobre o desconforto. Apostam na incerteza, mas sabem que na “esquerda” não houve respostas eficientes.



