O vereador Zé Lopes (Republicanos) afirmou que o governo do Acre, através da Casa Civil, gastou mais de R$ 83 milhões com serviços de táxi aéreo entre 2019 e 2025. O levantamento, segundo ele, foi realizado com base em informações publicadas no Diário Oficial do Estado (DOE), plataforma oficial que reúne despesas governamentais e outros atos da administração pública.
De acordo com o parlamentar, os recursos destinados ao fretamento de aeronaves poderiam ter sido investidos em áreas consideradas prioritárias, como saúde, educação e saneamento básico.
A discussão ganhou força após a divulgação de informações sobre uma tentativa de compra de um imóvel pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri). O negócio acabou não sendo concretizado após questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Ao comentar o caso, Zé Lopes criticou o valor que seria pago pelo terreno.
“Um terreno que, há menos de um ano, foi vendido por R$ 8 milhões. Se você fizer a conta dos 75 hectares, dividir os R$ 22 milhões por 75 hectares, vai mostrar que um hectare ali estaria valendo cerca de R$ 300 mil. Se você andar em torno de Rio Branco, consegue comprar o mesmo hectare por R$ 10 mil, R$ 11 mil ou R$ 12 mil”, afirmou.

O vereador destacou que os valores apontados no levantamento se referem ao fretamento de aeronaves e não à compra de jatos. Segundo ele, apenas em 2025 os gastos com táxi aéreo chegaram a R$ 39 milhões.
Para o parlamentar, o Estado deveria direcionar mais investimentos para setores capazes de gerar desenvolvimento econômico e melhorar os serviços prestados à população.
“Um estado como o Acre deveria concentrar a maior parte dos investimentos na melhoria da qualidade da prestação de serviços para a população, em fábricas e no polo industrial. A gente abre o Diário Oficial e nunca vê novas indústrias, novas fábricas vindo para cá. Deveria existir uma política para atrair essas empresas, gerar emprego e renda”, disse.
O tema também foi debatido na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac). Entre as propostas discutidas está a criação de uma frente parlamentar para cobrar esclarecimentos do governo estadual sobre os gastos apontados.
A reportagem tentou contato com o governo do Estado para obter um posicionamento sobre as declarações e os valores citados pelo vereador, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.



