Um vídeo publicado pelo fotógrafo e jornalista Diego Gurgel, na terça-feira (2), repercutiu nas redes sociais após o pai denunciar supostos episódios de preconceito contra o filho José, de 8 anos, diagnosticado com autismo nível 3 de suporte e trissomia do braço curto do cromossomo 20. O caso ocorreu em uma escola particular de Rio Branco.
Segundo Diego, ele recebeu prints de conversas nos quais uma responsável demonstrava incômodo com a presença de alunos atípicos na unidade de ensino. O pai disse que a situação o motivou a gravar o desabafo para defender o filho e abordar a inclusão de crianças com deficiência no ambiente escolar.
De acordo com ele, José estuda na instituição desde a educação infantil e conta com acompanhamento adequado durante as atividades escolares. O pai também afirma que o filho mantém boa convivência com os colegas.
Ao longo do vídeo, Diego direciona críticas aos responsáveis que, segundo ele, demonstraram insatisfação com a presença de crianças atípicas na escola. Para o pai, o contato entre alunos com diferentes características contribui para a formação social das crianças.
“A presença do meu filho na sala de aula dos filhos de vocês vai fazer com que eles aprendam a ser pessoas mais tolerantes, melhores seres humanos, a entender como funciona a sociedade, que ela é plural, feita de pessoas diferentes. O meu filho não vai atrapalhar o seu filho a se formar na profissão que você sonha”, declarou.
O fotógrafo também afirmou que o filho não apresenta comportamentos que comprometam o andamento das aulas ou coloquem outras crianças em risco. Segundo ele, José possui acompanhamento de uma mediadora e recebe suporte da escola.
“O problema não é o José, e o problema não é o incômodo das crianças, porque as crianças adoram o José, cuidam do José, levam histórias para casa todos os dias. O José tem mediadora na sala de aula para cuidar desses assuntos. O meu filho é indefeso contra o preconceito de vocês”.
Durante o desabafo, o pai também ressaltou a rotina de cuidados e terapias realizadas pelo filho desde os primeiros meses de vida. Segundo ele, a família sempre soube que enfrentaria desafios relacionados à inclusão e ao preconceito.
“Eu e a mãe do José estamos aqui. E a gente vai trabalhar duro para deixá-lo o máximo independente quando a gente morrer. Só que até lá, vocês vão ter que me engolir. Eu sei que vocês são pessoas que subestimam uma pessoa que é diferente da maioria das pessoas”.
Diego afirmou que o episódio não representa a postura da maioria das famílias da escola. Ele destacou que o filho é bem recebido pelos colegas e agradeceu o apoio prestado pela instituição ao longo dos anos.
“As crianças que estudam naquele colégio são fantásticas. Sempre cuidaram do José. A escola é incrível. O que estraga são os pais de alguns alunos. Porque ali é uma microssociedade dentro de uma escola que forma as pessoas, o intelecto das pessoas. E vocês estão desconstruindo tudo o que os professores e pedagogos estão fazendo”, disse.
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