Violência e exclusão: a rotina dos sem-terra no Acre
O Governo do Estado conseguiu, na Justiça, mandado de reintegração da faixa de domínio da AC-10, onde foi montado um acampamento sem terra e onde viviam 30 famílias há 4 anos. Nessa quarta-feira, as famílias começaram a derrubar os barracos e foram separando as madeiras e telhas porque vão reutilizar o material.
Sem ter para onde ir, os sem terra vão retornar à área da fazenda Vista Alegre onde foram retirados também por ordem judicial.
Eles querem se aproveitar de outra decisão do Judiciário na qual aponta que 29 lotes não pertencem à fazenda. Como é área da União, os sem terra decidiram voltar.
Segundo Rosimilson Ferreira, líder movimento, as famílias estão voltando para a área em litígio, mas estão com medo. “Na última tentativa de retorno, fomos expulsos por homens armados. Eu fui espancado, tive braço e costelas quebrados. Hoje tenho medo de ser morto. Mas, como não tenho para onde, ir vou arriscar a voltar à fazenda”, declarou.
Há quatro anos, as famílias esperam retornar à área e, desde que foram retiradas da terra, ficaram às margens da AC-10 em um acampamento sem condições de higiene e sem água tratada.
O Givanildo Cardoso tem quatro filhos pequenos. O mais novo, de 9 meses, nasceu no barraco que abriga a família. Ele conta com detalhes o sofrimento que é viver sem as mínimas condições e o abandono do poder público. “Essa é a parte mais dolorida, saber que ninguém nos estendeu a mão durante esse período. Enquanto a pessoa que se diz dono da fazenda consegue tudo, nós estamos aqui, agonizando. Agora, estamos sendo expulsos da beira da estrada”, disse revoltado.
Até hoje, a polícia não deu resposta sobre o ataque sofrido pelos sem terras no mês passado, mesmo sendo oferecidas as imagens dos agressores. Nenhuma entidade de Direitos Humanos ou de defesa dos produtores rurais ajudaram essas famílias. Apenas a CUT, nessa quarta-feira, enviou dois membros para ver a situação.
Havia o receio de que a polícia fosse impedir que o material retirado dos barracos fosse levado de volta à área em litígio.



