Um protesto realizado em frente à sede do Instituto Nacional de Colonizacao e Reforma Agraria (Incra), em Rio Branco, chamou atenção nesta semana pela imagem de um idoso acorrentado ao portão principal do órgão.
A manifestação foi organizada por moradores da comunidade Porto Seguro, localizada na zona rural de Porto Acre, na região do Seringal Andirá. Segundo os manifestantes, o grupo cobra há anos uma solução para a situação fundiária da área onde vivem.
Entre os participantes estavam famílias inteiras, incluindo crianças e idosos.
De acordo com os moradores, a indefinição sobre a posse das terras tem provocado insegurança, conflitos e ameaças constantes contra produtores rurais da região.
“Já morreram esperando”
Um dos representantes da comunidade, Josias Silva do Nascimento, afirmou que o caso se arrasta há mais de quatro anos sem uma resposta definitiva do Incra.

Segundo ele, a Gleba Andirá envolve diferentes áreas e seringais, entre eles Tocantins, Bandeirantes e Porto Central.
“A situação do Seringal Andirá é complexa. Essa gleba precisa ser arrecadada para a Justiça tomar providência, porque até hoje não se sabe oficialmente se é terra da União ou terra devoluta”, afirmou.
Josias disse que moradores aguardam a regularização fundiária há décadas e relatou que algumas famílias já perderam parentes antes de ver qualquer definição sobre o processo.
“Já morreram três pessoas aguardando essa decisão do Incra. Até hoje nada”, declarou.
Moradores relatam ameaças
Durante o protesto, moradores também denunciaram situações de intimidação e ameaça dentro da área em disputa. Segundo Josias Silva do Nascimento, famílias da comunidade vivem sob pressão constante.
“Tem capangas de fazendeiros junto com policiais ameaçando as famílias. Eu mesmo já fui ameaçado várias vezes”, afirmou.
Ele também alegou que produtores rurais não podem ser responsabilizados por possíveis erros documentais envolvendo a área.
“Se o Incra deu documento equivocado para fazendeiro, eles que resolvam. Nós não temos que pagar por isso”, disse.
Os manifestantes afirmam que participaram de diversas reuniões com representantes do Incra nos últimos anos, incluindo encontros presenciais e virtuais, mas dizem que os prazos apresentados pelo órgão nunca foram cumpridos.
“Pediam 15 dias, depois mais uma semana, mais um mês. E essa solução nunca chega”, afirmou Josias.
Durante o ato, ele também criticou supostas atitudes de servidores diante da situação do idoso acorrentado. Segundo o representante, algumas pessoas teriam ironizado o protesto enquanto o homem permanecia preso ao portão.

“Isso aqui não é brincadeira. Queria ver se fosse a casa deles, a moradia deles”, declarou.
Os moradores afirmam que continuarão mobilizados até receberem um posicionamento concreto do Incra sobre a situação da Gleba Andirá. Segundo os manifestantes, mais de 5 mil famílias vivem na região e aguardam medidas definitivas para garantir segurança jurídica e permanência nas terras.
Até o momento, o Instituto Nacional de Colonizacao e Reforma Agraria não havia se pronunciado oficialmente sobre as reivindicações apresentadas durante o protesto.



