O jornalista e apresentador José Ayres de Souza Rocha, conhecido como Ayres Rocha, morreu na madrugada desta quarta-feira (14), aos 62 anos. Um dos nomes mais conhecidos do telejornalismo acreano, ele construiu uma carreira de mais de três décadas na televisão e ficou marcado principalmente pela apresentação do Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), da Rede Amazônica.
Nascido em Rio Branco em 6 de novembro de 1963, Ayres entrou no jornalismo no fim da década de 1980 e acompanhou diferentes fases da televisão no estado, desde um período em que as redações ainda trabalhavam sem os recursos tecnológicos que se tornariam comuns anos depois.
Até a publicação desta matéria, não havia sido divulgada oficialmente a causa da morte.
Carreira começou por acaso

Ayres iniciou a trajetória na Rede Amazônica enquanto ainda trabalhava como bancário. Ele entrou na emissora inicialmente exercendo outras funções e passou a acompanhar a rotina da redação.
A oportunidade diante das câmeras surgiu em 1989, quando foi chamado para fazer um teste na apresentação esportiva. Depois, passou a produzir textos jornalísticos e assumiu a bancada do Jornal do Acre ainda naquele ano.
Com o passar dos anos, Ayres se tornou um dos rostos mais reconhecidos da televisão acreana. Além do JAC2, apresentou outros programas e acompanhou acontecimentos que marcaram a história recente do estado.
Entre os episódios que o próprio jornalista citava como marcantes estavam a queda de um avião Bandeirante próximo ao aeroporto de Rio Branco, em 2002, e a morte do jornalista José Chalub Leite.
Acre na bancada do Jornal Nacional

Um dos momentos de maior projeção nacional ocorreu em 2019. Ayres foi escolhido para representar o Acre no projeto comemorativo dos 50 anos do Jornal Nacional, que levou apresentadores de afiliadas de diferentes estados à bancada do principal telejornal da Globo.
Ele dividiu a apresentação com a jornalista Jéssica Senra, da Bahia, e foi o primeiro profissional da Rede Amazônica a participar do projeto.
Naquele mesmo ano, a Assembleia Legislativa do Acre chegou a apresentar uma moção de aplauso ao jornalista pelos serviços prestados à comunicação e pela participação no Jornal Nacional.
Luta contra o câncer
A trajetória de Ayres também ficou marcada pela forma aberta como falou sobre a própria saúde.
Em 2014, ele se afastou da televisão para tratar um câncer de próstata. O jornalista permaneceu cerca de um ano e dois meses em tratamento antes de retornar à bancada. Depois da recuperação, passou a usar a própria experiência para incentivar outros homens a realizarem exames preventivos.
Em diferentes ocasiões, Ayres participou de campanhas e palestras sobre prevenção ao câncer de próstata, relatando a experiência que viveu durante o tratamento.
Não há, porém, confirmação de que o histórico da doença tenha relação com a morte nesta quarta-feira.
Ayres encerrou a carreira na Rede Amazônica em novembro de 2024, depois de mais de 30 anos na emissora e mais de 6 mil edições apresentadas do Jornal do Acre.
Depois da aposentadoria, Ayres passou a dedicar mais tempo à família e também manteve presença nas redes sociais. Em março deste ano, chegou a participar do programa Almanacre, da Rede Amazônica, falando sobre a nova rotina e os conteúdos bem-humorados que passou a produzir.
Mais de três décadas no jornalismo acreano
Casado, pai de três filhos e avô de quatro netos, Ayres atravessou gerações de telespectadores e profissionais da imprensa no Acre.
Ao longo dos anos, ficou conhecido entre colegas também como “professor”, pela experiência acumulada na redação e pela convivência com jornalistas que iniciaram a carreira enquanto ele já comandava o principal telejornal da emissora no estado.
A morte de Ayres encerra uma trajetória diretamente ligada à história da televisão acreana, construída desde o fim dos anos 1980 até sua despedida das telas, em 2024.




