Conceder crédito sem avaliar se a dívida realmente cabe no orçamento do associado pode transformar uma solução financeira em um problema. A avaliação foi feita por César Bochi, diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, durante o 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi, realizado no Rio Grande do Sul.
Ao falar sobre a relação entre concessão de crédito e bem-estar financeiro, Bochi defendeu que a análise não deve considerar apenas o risco da operação, mas também a capacidade real de pagamento de quem solicita o recurso.
“Não adianta dar um crédito somente precificado ao risco que não caiba no orçamento daquela família”, afirmou.
A discussão ocorre em um cenário de elevado comprometimento da renda das famílias brasileiras. Dados do Banco Central mostram que o endividamento chegou a 49,8% da renda acumulada das famílias em março deste ano, enquanto o comprometimento da renda com pagamentos de dívidas ficou em 29,3%.
Relação com o associado pesa na análise
Bochi explicou que o modelo cooperativo cria uma responsabilidade adicional na concessão de crédito porque o associado também é dono da cooperativa.
Segundo ele, a instituição precisa conciliar o relacionamento próximo com a proteção dos recursos pertencentes ao conjunto de cooperados.

“Primeiro, porque tem que zelar pela cooperativa, pelo recurso dos cooperados. E, segundo, pelo entendimento técnico de que aquela pessoa não terá condições de fazer o pagamento”, disse.
O próprio Sicredi afirma, em suas orientações sobre crédito responsável, que a contratação deve respeitar a necessidade e a capacidade de pagamento do associado. A instituição também recomenda que o consumidor avalie previamente o espaço disponível no orçamento antes de assumir parcelas.
Negativa de crédito também afeta percepção do associado
Durante a apresentação, César também citou o NPS, indicador utilizado para medir a disposição do associado em recomendar a instituição.
Segundo ele, entre os associados que demonstram menor disposição para recomendar o Sicredi, aparecem com frequência pessoas que tiveram uma solicitação de crédito negada, não receberam um novo limite ou não conseguiram ampliar o crédito disponível.
Para o diretor-presidente, porém, a decisão de negar uma operação em determinados casos também integra o cuidado com a saúde financeira do próprio associado.
A lógica está alinhada à estratégia de bem-estar financeiro apresentada pelo Sicredi durante o encontro. A instituição vem ampliando iniciativas de orientação financeira que avaliam planejamento, capacidade de lidar com imprevistos e compromissos financeiros antes de indicar caminhos relacionados a crédito, poupança e organização das finanças. Uma nova ferramenta digital lançada neste mês já se soma a mais de 140 mil atendimentos de orientação realizados no país.
Bem-estar financeiro é um dos temas do encontro
O assunto tem aparecido de forma recorrente na programação do 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião.
Nos materiais apresentados durante o evento, o Sicredi sustenta que produtos e serviços financeiros devem acompanhar o momento de vida e a saúde financeira dos associados, em vez de serem tratados apenas como operações isoladas.
A instituição relaciona bem-estar financeiro à capacidade de manter as contas organizadas, enfrentar imprevistos, planejar o futuro e tomar decisões de forma mais consciente.
O Agazeta.net acompanha o encontro no Rio Grande do Sul com a jornalista Gisele Almeida.




