A educação financeira de crianças e adolescentes precisa ir além de ensinar juros, orçamento ou poupança e ajudar os estudantes a desenvolver uma relação mais consciente e crítica com o dinheiro. A avaliação é da planejadora financeira Vivian Rodrigues Magalhães, cofundadora da Nossa, escola de formação de planejadores financeiros independentes, que conversou com o Agazeta.net durante o 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi, no Rio Grande do Sul.
Na entrevista à jornalista Gisele Almeida, Vivian comentou a segunda edição da Olimpíada de Educação Financeira do Acre, iniciativa que ampliou o alcance neste ano e deve distribuir R$ 560 mil em premiações.
“Não tem um adulto nesse país que não gostaria de ter tido a oportunidade de conversar de forma tão antecipada sobre a nossa relação com o dinheiro”, afirmou.
Projeto cresceu no Acre em 2026
A Olimpíada de Educação Financeira foi criada em 2025 e, na primeira edição, reuniu pouco mais de 3 mil estudantes de 11 escolas de Rio Branco. Neste ano, o projeto foi ampliado para diferentes municípios acreanos e passou a incluir escolas públicas e particulares em categorias separadas.

No lançamento da segunda edição, a organização previa alcançar até 25 mil estudantes do 6º ao 9º ano em 50 escolas de 11 municípios, distribuídos pelas cinco regionais do Acre. A premiação também dobrou, passando de R$ 280 mil para R$ 560 mil.
Com o encerramento das inscrições, porém, o número efetivo ficou em 10.780 estudantes de 34 escolas, sendo 26 públicas e oito particulares. Ainda assim, a participação mais do que triplicou em relação a 2025.
Os conteúdos trabalhados com os alunos incluem planejamento financeiro, organização do orçamento, consumo consciente e tomada de decisões.
Relação com dinheiro também passa pelo emocional
Para Vivian, um dos pontos mais importantes é entender que as escolhas financeiras não são tomadas apenas de forma racional.

“Nossa relação com o dinheiro, o jeito que a gente gasta, o jeito que a gente ganha, ele não é racional. As pessoas não ganham o quanto ganham porque elas não querem ganhar mais, elas não gastam o quanto gastam porque não querem gastar menos ou não querem gastar mais. Não é exatamente somente dessa ordem, é de uma ordem emocional”, explicou.
Segundo ela, começar essa discussão ainda na escola pode ajudar os jovens em decisões que aparecerão poucos anos depois, como a escolha de uma profissão, de um curso superior ou técnico e a entrada no mercado de trabalho.
Vivian defende que parte da relação com o dinheiro é construída e aprendida ao longo da vida e, por isso, a educação financeira pode contribuir para que os estudantes entendam melhor as próprias escolhas.
“Tem uma parte da relação com o dinheiro que ela é desenvolvida, ela é aprendida, ela é entendida, inclusive para a gente conseguir se posicionar dentro do país com um pouco mais de consciência, para conseguir ser agente dos próprios movimentos”, afirmou.
“Não é aprender a calcular juro simples e composto”
A especialista também destacou que a educação financeira nas escolas não deveria ficar restrita a cálculos.
“Não é aprender a calcular o juro simples e o juro composto. Ele precisa construir pensamento crítico ao redor da nossa relação com o dinheiro”, disse.
A experiência com o tema também faz parte da trajetória profissional de Vivian. Ela contou que iniciou a carreira como planejadora financeira trabalhando dentro de escolas e chegou a desenvolver simultaneamente 24 projetos de educação financeira em instituições de ensino.
Hoje, Vivian é cofundadora da Nossa, voltada à formação de planejadores financeiros independentes. A escola informa já ter formado mais de 490 profissionais, com uma metodologia que combina conhecimentos técnicos sobre finanças com ciências comportamentais.
Tema foi discutido no encontro do Sicredi
A entrevista foi realizada durante a programação do 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi, que reúne profissionais de comunicação de diferentes regiões do país.
Vivian participou do primeiro dia do evento com uma apresentação sobre bem-estar financeiro, tema em que abordou justamente a relação entre escolhas individuais e questões estruturais.
Na apresentação, ela defendeu que renda é uma condição necessária para o bem-estar financeiro, mas não suficiente, e que a falta de dinheiro também influencia a maneira como as pessoas pensam e tomam decisões.
O encontro segue até sexta-feira (16), com atividades em Porto Alegre e Nova Petrópolis. O Agazeta.net acompanha a programação com a jornalista Gisele Almeida.




