Um casarão construído em 1911 e preservado pela mesma família há seis gerações foi uma das paradas da programação desta quinta-feira (15) do 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi, no Rio Grande do Sul. O grupo conheceu o Armazém Wazlawick, localizado na Linha Brasil, em Nova Petrópolis.
O espaço hoje funciona como restaurante, mas ao longo de mais de um século teve diferentes usos e acompanhou parte da história da comunidade. Em entrevista ao Agazeta.net, o proprietário Rafael Wazlawick, representante da sexta geração da família, contou como o prédio atravessou diferentes épocas até chegar à configuração atual.
“A casa foi construída pelo meu tataravô, que se chamava Wenzel Wazlawick. A casa data de 1911, então ela foi construída com fins para ser um salão de baile da época”, explicou.
Documentos históricos apresentados pelo próprio estabelecimento apontam que a família chegou ao Rio Grande do Sul na década de 1870, vinda da região da Boêmia, hoje parte da República Tcheca. Depois de passar por outras localidades, os Wazlawick se estabeleceram na Linha Brasil, em Nova Petrópolis.
De salão de baile a hospital rural
Segundo Rafael, o casarão acumulou diferentes funções ao mesmo tempo.

“Enquanto ela funcionava como salão de baile, a parte de cima, do sótão, funcionava como uma espécie de hospital rural, no qual eles eram atendidos por médicos que passavam a cavalo na época”, contou.
A história é confirmada pelo próprio acervo do Armazém. O sótão serviu durante anos como espaço para atendimento de moradores da região, enquanto médicos vindos de cidades próximas realizavam visitas esporádicas. O prédio também chegou a receber cultos e batizados antes da conclusão da igreja local.
“E nesse meio tempo também, a casa funcionou como um mini centro de eventos, diríamos assim, onde casamentos, batizados, também eram sediados”, acrescentou Rafael.
Última fase antes do restaurante foi como armazém
Depois das funções comunitárias, o casarão passou a abrigar o comércio da família e se tornou um tradicional armazém de secos e molhados.

“A última utilidade antes de ser restaurante foi o armazém de secos e molhados, no qual eu, enquanto criança e adolescente, cheguei a trabalhar atrás do balcão. Me sinto privilegiado por ter podido viver essa experiência”, relembrou.
Parte da memória dessa época ainda permanece no espaço atual. Objetos antigos foram preservados e incorporados à decoração, enquanto estruturas que faziam parte da rotina da casa ganharam novas funções. Até camas utilizadas quando o prédio funcionava como hospital foram reaproveitadas como mesas no restaurante.
Restaurante abriu em 2018
A transformação definitiva veio em setembro de 2018, após um processo de restauração e adaptação do imóvel.
“Em 2018, setembro de 2018, nós inauguramos um restaurante, uma proposta bem diferente, sempre buscando poder oferecer um espaço bacana, confortável, um atendimento de qualidade e uma comida diferenciada”, disse Rafael.
O restaurante mantém a proposta de unir gastronomia e memória. O cardápio trabalha com massas, risotos, carnes e sobremesas, com serviço em sequência à inglesa, formato em que os pratos são levados diretamente às mesas.
Hoje, o Armazém funciona principalmente aos fins de semana e em alguns feriados, recebendo moradores e turistas que percorrem a Serra Gaúcha.
Visita integrou programação do Sicredi
A passagem pelo Armazém Wazlawick fez parte do segundo dia do 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi.
A programação desta quinta foi voltada à Serra Gaúcha e incluiu ainda visita à Praça Theodor Amstad e ao Memorial da Casa Cooperativa, em Nova Petrópolis, locais relacionados às origens do cooperativismo de crédito no Brasil.
O Agazeta.net acompanha o encontro com a jornalista Gisele Almeida, que participa da programação no Rio Grande do Sul.




