O presidente do Conselho de Administração da Sicredi Pioneira, Tiago Schmidt, destacou nesta sexta-feira (16) a atuação da cooperativa durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e defendeu a expansão do cooperativismo como instrumento de desenvolvimento econômico e social.
A apresentação fez parte da programação do 11º Encontro Nacional com Jornalistas e Formadores de Opinião do Sicredi, realizado no Rio Grande do Sul. Em entrevista ao Agazeta.net, Schmidt também explicou a origem e o modelo de atuação da Pioneira, fundada em Nova Petrópolis.
A cooperativa surgiu em 1902, quando o padre Theodor Amstad e outras 19 lideranças da comunidade de Linha Imperial criaram a então Caixa Rural de Nova Petrópolis. A instituição é reconhecida como a primeira cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina e segue em atividade atualmente como Sicredi Pioneira.

“É uma honra recebê-los em Nova Petrópolis, capital nacional do cooperativismo e berço da primeira cooperativa da América Latina, a atual Sicredi Pioneira, que faz parte do Sistema Sicredi presente em todo o território brasileiro”, afirmou Schmidt.
Cooperativa atua em 21 municípios
Hoje, a Sicredi Pioneira atua em 21 municípios entre a Serra Gaúcha e o Vale do Sinos.
Segundo Schmidt, a cooperativa possui mais de 350 mil associados e busca combinar a oferta de produtos financeiros com iniciativas voltadas ao desenvolvimento das regiões em que está presente.

“A cooperativa tem um entendimento claro de que nós fazemos parte da comunidade. Então, a gente atua com todos os produtos e serviços financeiros que uma instituição financeira tradicional tem, mas, além disso, a cooperativa se preocupa em ser mais do que um banco”, disse.
Para ele, o crescimento da instituição está diretamente relacionado ao desenvolvimento das próprias comunidades.
“A gente trabalha com a lógica de que somos um movimento, um movimento que gera prosperidade nas comunidades. Quanto mais a gente trabalha o desenvolvimento financeiro, intelectual e social da nossa região, das pessoas que fazem parte da nossa região, mais a cooperativa vai crescendo junto com a região”, afirmou.
Enchentes colocaram modelo à prova
Durante a apresentação, Schmidt relembrou a atuação da Sicredi Pioneira após as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.
Segundo ele, somente em São Leopoldo cerca de 15 mil associados tiveram as casas atingidas pela água, entre eles aproximadamente 2,4 mil pessoas jurídicas.

“Somos a comunidade. A gente vive todas as alegrias e todas as dores da comunidade”, resumiu.
A cooperativa desenvolveu ações em parceria com o Sebrae para ajudar empresas afetadas a retomarem as atividades. Relatórios da própria Sicredi Pioneira mostram aportes para programas de recuperação de micro e pequenos negócios, além de auxílio a famílias, instituições e serviços públicos atingidos pelas enchentes.
Schmidt também contou que, depois da retomada de parte das empresas, a instituição passou a atuar na recuperação de escolas de São Leopoldo.
“O Sicredi reformou 18 escolas em São Leopoldo. Pintura, parede, telhado, elétrica, móveis. E a gente achou que tinha feito tudo”, afirmou.
Segundo ele, após o retorno das aulas, a cooperativa foi informada de que muitas crianças haviam perdido os materiais escolares nas enchentes.
“Uma semana depois das crianças voltarem para a escola, a gente recebe mensagem: as crianças estão indo para a escola, mas não têm caderno nem lápis porque perderam tudo em casa. E daí a gente foi comprar caderno, lápis, canetinha”, relatou.
A Sicredi Pioneira afirma ter atuado em diferentes frentes durante e após a tragédia, com doações, voluntariado, apoio a empresas e investimentos na reconstrução das comunidades.
“Mais do que um banco”
Para Schmidt, esse tipo de atuação ajuda a explicar a diferença que a cooperativa busca estabelecer em relação às instituições financeiras tradicionais.
“A gente entende que foi por isso que, em 1902, o padre Amstad e mais 19 lideranças fundaram a cooperativa. E a gente segue com uma responsabilidade tremenda de honrar esse propósito de construir uma sociedade mais próspera”, afirmou ao Agazeta.net.
O modelo cooperativo também prevê a participação direta dos associados na gestão, principalmente por meio das assembleias e de representantes locais. Na Sicredi Pioneira, as decisões são discutidas nos 21 municípios de atuação da cooperativa.
Schmidt vê espaço para expansão do cooperativismo
Durante a apresentação, o presidente também comparou a presença das cooperativas de crédito no Brasil com outros países e afirmou que ainda há espaço para crescimento do modelo.
Schmidt citou exemplos dos Estados Unidos e da Irlanda, onde o cooperativismo financeiro possui participação expressiva, e defendeu maior produção de pesquisas e divulgação sobre o tema no Brasil.
“O fato de a gente ter um Brasil muito diverso, em que algumas regiões o cooperativismo é mais desenvolvido e outras ainda não, revela o quanto a gente tem potencial de ampliar cada vez mais o interesse e o conhecimento da sociedade brasileira para o cooperativismo”, afirmou.
A programação desta sexta-feira também incluiu visita ao Espaço de Relacionamento Sicredi e atividades no centro histórico de Gramado. O Agazeta.net acompanha o encontro no Rio Grande do Sul com a jornalista Gisele Almeida.




