Qualificação do mandato é desafio para novos parlamentares
Dos 24 deputados estaduais recém-eleitos, 18 fazem parte da base aliada. A maioria que apoia o Governo traz uma responsabilidade adicional à nova legislatura: ao menos superar em qualidade à atual safra de parlamentares.
É difícil recordar, na história recente do parlamento acriano, um trabalho tão ruim quanto o que foi liderado pelo presidente Élson Santiago. Não há um único projeto, formulado, discutido, aprovado, sancionado que tenha saído das pranchetas dos “nobres colegas”.
Os projetos de maior impacto na rotina da gestão pública saíram do cálculo do Palácio Rio Branco. Nenhum dos projetos de lei formulados pelos deputados. E, claro, foram aprovados com alguma facilidade.
Wherles Rocha (PSDB) liderava o movimento de oposição fadado a sempre perder. Junto com o silêncio eterno de Toinha Vieira; às demandas pontuais e assistencialistas de Chagas Romão; à verborragia incompreensível de Gilberto Diniz e aos humores de Antonia Sales.
Há ações pontuais que podem ser lembradas como o trabalho de regularização fundiária na área urbana de Rio Branco encabeçada por Edvaldo Souza (PSDC), mas isso é pouco diante de 23 anestesiados.
Parlamentares defendendo interesses de empresas cuja natureza do empreendimento era contestada pela Justiça expõem o contexto nebuloso promovido pela safra de parlamentares que terminou os trabalhos em 2014.
De tapurus em marmita hospitalar, passando pelas supostas participações em escândalos de corrupção nacional, os problemas pelos quais o Governo do Acre passou nos últimos quatro anos foram frutos de atropelos nas próprias canelas.
E o cidadão não pode alimentar esperanças. Não apenas pelos deslumbres da nova safra de parlamentares eleitos cuja maioria já tem passagem marcada para as praias do Nordeste. Mas, pela sede do poder pelo poder que os recém-chegados já demonstraram ter ao reivindicar cargos na Mesa Diretora sem nem ter assinado o primeiro ponto de presença e mostrado o mínimo trabalho.
A renovação significativa da Casa exige uma postura mais compromissada com causas populares na área da Economia, Cultura e Educação, sobretudo. Quem não compreender esse “desejo de mudança” terá dificuldades em renovar mandatos (preocupação da maioria).
Da Mesa Diretora não se pode esperar muito. O “tratamento político” que será dado pelo futuro presidente Ney Amorim, muito provavelmente, terá foco nas eleições de 2016. A próxima legislatura sobe na tribuna de cabeça baixa.



