Reforma administrativa de Tião tem desafios práticos
Dizem os entendidos que, no terceiro trimestre de 2014, o PIB brasileiro alcançará o “crescimento” de 0,1%. Dizem também os entendidos que a dupla Joaquim Levy, na Fazenda, e Nelson Barbosa, no Planejamento, aliados ao obediente Alexandre Tombini, do Banco Central, era tudo o que os investidores precisavam para se “acalmar”.
E o que isso tem a ver com o Acre? Depende do olhar. Uma leitura pessimista (ou mais cautelosa) obriga a uma postura austera por parte do Executivo acriano. Do tipo: “vai vir arrocho pela frente! É preciso nos preparamos”.
Será que o governador Tião Viana é mais afeito a esse olhar? Ele já deixou vazar a informação de que vai fazer “uma reforma administrativa”: vai ensaiar um “enxugamento” da máquina pública.
Como isso será feito efetivamente, não se sabe. O que essa reforma trará de novo? Vai extinguir as assessorias de Políticas para Mulher ou para os Indígenas? Vai cortar de forma substantiva os cargos comissionados? A Secretaria de Pequenos Negócios vai virar um grande departamento dentro da Seaprof?
O governador Tião Viana sabe que Joaquim Levy está longe de ser o economista dos sonhos de Dilma. Ela o colocou ali por razões pragmáticas e ele, Levy, sabe que vai ter que apresentar resultados.
Como o Acre se encaixa nesse pragmatismo? Com um PIB na casa dos R$ 8,5 a R$ 8,7 bilhões (0,2% de contribuição no PIB nacional), os gestores daqui ainda se admiram com criação de porco, peixe e galinha.
A economista Maria da Conceição Tavares já ironizou a situação. Disse que, do ponto de vista econômico, “o Acre tem a importância de uma ONG”. Ela está correta, para os referenciais que possui.
O problema é justamente esse. Levy não sabe (e nem tem cacoete de saber) o que é Amazônia. No vocabulário dele estão: “pente fino”, “ajustes”, “sanidade de contas públicas”. A pergunta insiste: que impacto o “arrocho” esperado terá para o Acre?



