Em 2026, o Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundão eleitoral, terá R$ 4,96 bilhões em recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas. Dito assim, o número pode parecer distante da realidade. Bilhões são difíceis de visualizar. Mas a economia oferece uma forma simples de entender o tamanho de uma escolha como essa: o custo de oportunidade.
Todo recurso utilizado para uma finalidade deixa de estar disponível para outra. Isso não significa que o dinheiro do fundo eleitoral poderia simplesmente ser transferido amanhã para uma escola ou um hospital, mas significa que toda decisão de gasto público precisa ser analisada diante de outras necessidades que também disputam recursos limitados.
Uma maneira de dimensionar esses quase R$ 5 bilhões é compará-los com investimentos do próprio Novo PAC.
Na saúde, por exemplo, tomando como referência os valores previstos pelo programa, o equivalente ao fundo eleitoral seria suficiente para financiar aproximadamente 14 mil ambulâncias do SAMU ou mais de duas mil Unidades Básicas de Saúde.
Na educação, o mesmo valor corresponderia a cerca de 592 escolas de tempo integral, mais de 1,5 mil creches ou quase 10 mil ônibus escolares.
No saneamento, a dimensão também impressiona. Considerando os custos médios dos empreendimentos previstos no Novo PAC, os R$ 4,96 bilhões equivaleriam a centenas de intervenções de abastecimento de água e esgotamento sanitário. O valor também se aproxima de toda uma seleção nacional de obras de drenagem urbana destinadas a reduzir alagamentos, enchentes e inundações. Quando transformamos bilhões em serviços, equipamentos e infraestrutura, aquilo que antes parecia apenas um número do Orçamento passa a ganhar dimensão concreta.
É importante lembrar, porém, que essas políticas não possuem necessariamente a mesma fonte de recursos. Parte dos investimentos do Novo PAC, especialmente no saneamento, envolve financiamentos, FGTS e outras formas de execução, enquanto o Fundo Eleitoral possui regras e origem orçamentária próprias. A comparação, portanto, não significa dizer que bastaria cancelar uma despesa para automaticamente construir milhares de obras. O objetivo é outro: mostrar a escala econômica dessa escolha e permitir que o valor seja compreendido de forma mais próxima da realidade das pessoas.
Também é importante deixar claro que essa não é uma defesa do fim do financiamento público de campanhas. Ele cumpre uma função relevante ao permitir que pessoas sem grandes patrimônios, grandes financiadores ou estruturas econômicas próprias também tenham condições de disputar eleições. Sem algum mecanismo público de financiamento, a política corre o risco de se tornar ainda mais restrita a quem já possui dinheiro, influência e acesso aos espaços de poder.
A discussão, portanto, não precisa ser entre ter ou não ter financiamento público. A pergunta é se o modelo atual realmente consegue democratizar o acesso à política e se precisa chegar a quase R$ 5 bilhões para cumprir essa função. Defender a existência do fundo não significa considerar qualquer valor automaticamente justificável. Também é legítimo discutir seu tamanho, sua distribuição e a eficiência com que esses recursos cumprem o propósito para o qual foram criados.
No fim, R$ 4,96 bilhões podem continuar parecendo apenas mais um número gigantesco do Orçamento. Mas talvez seja mais fácil entender sua dimensão quando pensamos em 14 mil ambulâncias, quase 10 mil ônibus escolares, mais de duas mil unidades básicas de saúde, milhares de creches ou centenas de obras de saneamento e infraestrutura.
É isso que o custo de oportunidade nos ensina: a pergunta nunca é apenas quanto alguma coisa custa. É também o que poderíamos fazer com aqueles mesmos recursos e, principalmente, se a escolha realizada entrega à sociedade benefícios compatíveis com aquilo que ela custa.




