“Eu estou sem dormir, procurando conseguir recurso”
Quando se compara os dados sobre arrecadação e os gastos nos estados, se descobre que quase todos os governadores estão sem dinheiro em caixa. Alguns, como o Acre, ainda estão conseguindo manter os salários em dia e não paralisaram obras e serviços importantes, mas, para o servidor público, o final de ano promete ser agonizante: o governo ainda não garantiu que o décimo terceiro salário será pago.
Os governadores reclamam que perderam receita durante todo o ano. O FPE, o repasse do Governo Federal, vem caindo mês a mês, e, ainda tem os juros e encargos que levam um bom percentual do que é arrecadado.
No Acre, só com juros da dívida foram menos R$ 164 milhões esse ano. Outros R$ 320 milhões não chegaram por causa dos cortes do FPE.
O governador Tião Viana busca recursos para garantir os salários de novembro, dezembro e o décimo terceiro salário, que, por enquanto, nada está garantido. Nesses próximos 60 dias, Tião Viana, precisa conseguir R$ 670 milhões.
“Eu estou sem dormir, procurando todas as formas para conseguir esse recurso. Não está sendo fácil. Desde outubro, estamos fazendo contas para conseguir R$ 900 milhões”, revelou o governador.
O Estado briga para receber a sua parte do imposto de renda dos recursos de repatriação, que era dinheiro enviado para o exterior e que agora declarado ao Governo Federal, rende para os estados uma parte. Para o Acre, são R$ 147 milhões, mas, existe outra conta que a União não faz e pode dar um calote nos estados.
“Esse dinheiro rendeu multa e os governadores querem receber esse percentual. A lei nos garante o repasse desse dinheiro que vai ajudar bastante em nossas despesas”, declarou.
Um dos gargalos nas contas do governo é a previdência. De 2015 a 2015, os gastos com as aposentadorias cresceram 170%. Mensalmente o estado repassa para a Acreprevidência R$ 25 milhões.
Os depósitos durante os doze meses desse ano contabiliza R$ 300 milhões, quase o mesmo valor que o estado perdeu Dante 2016.
Para o governador Tião Viana a única forma de a previdência sobreviver nos estados é a geração de empregos, onde se consiga arrecadar mais. O Acre gasta 13% da arrecadação com a previdência e na atual crise, sem recursos, os empregos sumiram. São 12 milhões de pessoas em todo país que perderam a fonte de renda.
O Governo do Acre tenta economizar dinheiro com a folha de pagamento ao reduzir 20% dos salários dos altos cargos e anunciou a demissão de 500 cargos comissionados, medidas insuficientes para garantir, ao menos, o décimo terceiro salário.



