A Polícia Civil realizou buscas nas casas do pai e do padrasto do adolescente de 13 anos envolvido no atentado que aconteceu Instituto São José, em Rio Branco, na terça-feira (05). A ação teve como objetivo apreender equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam ajudar na investigação sobre a motivação do crime.
O delegado Martin Hessel afirmou que os materiais recolhidos durante as buscas já passam por análise pericial. Segundo ele, as investigações seguem em andamento e os resultados devem ser encaminhados ao Poder Judiciário. O delegado destacou ainda que todas as medidas autorizadas pela Justiça estão sendo executadas pela Polícia Civil para esclarecer os fatos e concluir o procedimento investigativo.
“Ο adolescente está custodiado, no momento aguardando ainda a decisão judicial e todos os equipamentos resultantes das buscas que foram feitas também com autorização judicial estão sendo analisados. Então tão logo saia essa análise das provas que estão sendo coletadas, haverá divulgações acerca do procedimento”, afirmou.
Hessel conta que a investigação deve ser concluída após a análise dos materiais apreendidos e encaminhada ao Judiciário.
“Tudo que está ao alcance da Polícia Civil está sendo providenciado e logo mais será encaminhado ao Poder Judiciário para que o processo judicial corra e a gente ter essa resposta definitiva”, declarou.

Até o momento, a motivação do atentado não foi divulgada. O Ministério Público realizou uma coletiva de imprensa para apresentar as primeiras medidas adotadas após o caso. Durante a coletiva, promotores fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.
O Ministério Público também anunciou a criação de um grupo de enfrentamento à violência digital nas redes sociais. O adolescente foi ouvido por uma promotoria especializada, na presença de um juiz, mas o conteúdo do depoimento permanece sob segredo de Justiça.
O procurador Francisco Maia explicou que o adolescente responde por ato infracional e que o processo seguirá os mesmos princípios aplicados aos adultos, respeitando o direito à defesa e ao contraditório. Ele explica como funciona a definição da medida socioeducativa para adolescentes.
“Ao final o juiz estabelece uma sanção para esse adolescente, como também é feito em termos de processo em relação ao adulto. O adolescente deve ser responsabilizado com uma medida de privação de liberdade”, afirmou.

Outro ponto debatido durante a coletiva foi a exposição de crianças e adolescentes na internet. A promotoria especializada alertou os pais sobre a necessidade de acompanhar a vida digital dos filhos e pediu que a imprensa não divulgue informações pessoais do adolescente, em cumprimento às normas do ECA Digital.
O relacionou o uso excessivo de celulares aos impactos psicológicos e sociais enfrentados por adolescentes. Ele destaca a preocupação com o acesso sem supervisão às redes sociais e aos conteúdos consumidos por crianças e adolescentes.

“O celular na mão de uma criança e de um adolescente, infelizmente, hoje está sendo uma potencialidade danosa e que está causando nessa nova geração, infelizmente, graves problemas psicológicos e mentais, graves problemas sociais, isolamento social”, declarou.
Durante a coletiva, integrantes do Ministério Público também defenderam o reforço das políticas de segurança nas escolas. Entre os pontos citados, esteve a discussão sobre a lei que prevê detectores de metal nas instituições de ensino.
Francisco Maia explicou ainda que o adolescente permanece em internação provisória até a conclusão do processo judicial.
“O adolescente, inicialmente, nesse primeiro momento, ele é direcionado para o centro de internação provisória e, ao final, quando ele for sentenciado, aí sim, ele vai para um dos outros dois centros socioeducativos de cumprimento definitivo dessa medida”, concluiu.
Matéria prouzida por João Cardoso e editado pelo site Agazeta.net.



