O nível do Rio Acre pode ficar abaixo da marca de 2 metros ainda nos próximos dias, segundo projeção da Defesa Civil Municipal de Rio Branco. O alerta reforça a preocupação das autoridades com o avanço do período de estiagem, que já provoca uma rápida redução do volume de água no principal manancial da capital.
Há poucas semanas, o rio ainda registrava níveis próximos à cota de atenção, com cerca de 10 a 11 metros. Agora, a realidade é outra. De acordo com o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, a redução das chuvas tem acelerado a descida das águas.

“O Rio Acre teve um decréscimo muito grande. No último mês, ele baixou mais de nove metros. Estávamos com mais de 12 metros e agora estamos com quase 3 metros”, explicou.
Segundo Falcão, os índices pluviométricos ficaram abaixo do esperado em maio. O volume de chuvas registrado foi cerca de 28% inferior à média prevista para o período. A tendência é de que o cenário se agrave nos próximos meses.
“Em junho, a expectativa era de aproximadamente 40 milímetros de chuva, mas praticamente não deve acontecer isso. E vamos entrar em julho, que historicamente é o mês que menos chove. Em 2023, por exemplo, registramos zero milímetro de chuva durante todo o mês”, destacou.
Cuidados com a saúde
Com a intensificação da seca, a Defesa Civil também alerta para os impactos na saúde da população. A baixa umidade do ar, o calor intenso, a fumaça provocada por queimadas e a exposição prolongada ao sol exigem atenção redobrada.
Entre as recomendações estão evitar atividades físicas ao ar livre entre 10h e 16h, aumentar a ingestão de água, utilizar protetor solar, roupas adequadas para quem trabalha exposto ao sol e umidificar ambientes durante a noite.
O alerta é direcionado principalmente para crianças, idosos, pessoas transplantadas e pacientes com doenças respiratórias ou outras comorbidades.
“Já temos momentos do dia em que a umidade relativa do ar fica abaixo de 60%. Por isso, a hidratação é essencial e alguns grupos precisam de cuidados ainda maiores”, ressaltou o coordenador.
Vazante facilita retirada de caminhonete
O baixo nível do Rio Acre também permitiu o início da operação para retirada da caminhonete que afundou no manancial no último dia 27 de abril, na região do bairro Base.

O caso ganhou repercussão estadual e nacional após imagens mostrarem o momento em que o veículo desceu em direção ao rio. Na ocasião, o motorista conseguiu escapar antes que a caminhonete fosse completamente submersa.
Nesta semana, equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil aproveitaram a vazante para iniciar os trabalhos de remoção do veículo, que permaneceu no fundo do rio por mais de um mês.
Enquanto acompanha a redução acelerada do nível do Rio Acre, a Defesa Civil reforça que o período de seca está apenas começando e que novas medidas deverão ser adotadas para minimizar os impactos ambientais, econômicos e sociais provocados pela estiagem deste ano.



