A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou, nesta quinta-feira (8), dois casos de sarampo em pacientes residentes no Peru que foram atendidos no Acre. Os casos envolvem uma criança de 11 meses e uma mulher de 30 anos, ambas moradoras de Puerto Maldonado.
Os pacientes passaram por Assis Brasil e Brasileia antes de chegarem a Rio Branco, onde receberam atendimento. Os exames iniciais de RT-PCR já haviam detectado o vírus, mas a confirmação oficial dependia da análise da Fiocruz, laboratório de referência nacional.
Com o resultado, os dois casos deixam de ser classificados como suspeitos e passam a ser considerados confirmados para sarampo. Apesar da confirmação, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) ainda não classifica os casos oficialmente como importados.
A investigação epidemiológica continua para identificar o local provável onde ocorreu a infecção, possíveis exposições ao vírus e todas as pessoas que tiveram contato com os pacientes durante o deslocamento e o atendimento no estado.
Até agora, as informações reunidas pelas equipes de saúde apontam para a possibilidade de que a infecção tenha ocorrido fora do território acreano. A classificação definitiva, porém, depende da conclusão dessa investigação.
Bebê permanece em estado grave
Antes da confirmação da Fiocruz, a Sesacre informou que a criança de 11 meses estava internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado considerado grave.
A mulher de 30 anos também estava hospitalizada em Rio Branco, mas sem sinais de gravidade na última atualização divulgada pelo governo.
As equipes de vigilância passaram a acompanhar as pessoas que tiveram contato com os dois pacientes desde a entrada deles no Acre.
Bloqueio vacinal
Como medida de prevenção, a Sesacre e o Ministério da Saúde organizaram ações de bloqueio vacinal nos locais por onde os pacientes passaram ou receberam atendimento.
Em Rio Branco, a mobilização inclui o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) e o Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into). Também estão previstas ações em Brasileia, conforme avaliação das equipes de vigilância.
O bloqueio vacinal é utilizado para reduzir o risco de transmissão depois da identificação de um caso suspeito ou confirmado, alcançando pessoas que possam ter sido expostas ao vírus e que tenham indicação para receber a vacina.
Acre não registrava casos confirmados desde 2000
A confirmação chama atenção porque o Acre não registrava casos confirmados de sarampo havia mais de duas décadas.
Segundo boletim epidemiológico da própria Sesacre, os últimos registros confirmados no estado haviam ocorrido em 2000, quando foram contabilizados 11 casos: seis em Rio Branco, três em Acrelândia, um em Mâncio Lima e um em Plácido de Castro.
Em julho deste ano, a Secretaria já havia publicado uma nota técnica com orientações específicas para casos suspeitos e confirmados de sarampo diante do risco de reintrodução da doença no Acre em razão da situação epidemiológica no Peru.
A confirmação atual, no entanto, não significa necessariamente que voltou a existir transmissão local no estado. Isso só poderá ser definido depois da investigação sobre onde os dois pacientes foram infectados.
Vacinação é principal forma de prevenção
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa. Entre os sintomas mais comuns estão febre, manchas vermelhas pelo corpo, tosse, coriza e irritação nos olhos.
A orientação da Sesacre é que a população verifique a situação da caderneta de vacinação e procure uma unidade de saúde caso seja necessário atualizar as doses.
Pessoas que apresentarem sintomas compatíveis com a doença também devem procurar atendimento e informar aos profissionais de saúde sobre viagens recentes ou contato com pessoas com suspeita de sarampo.




