O Superior Tribunal de Justiça (STJ) retoma nesta quarta-feira (15), a partir das 14h (horário de Brasília), o julgamento do ex-governador do Acre, Gladson Cameli (PP), em um processo que pode impactar diretamente seu futuro político.
Cameli é acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de integrar um esquema de corrupção envolvendo fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e outros crimes. A ação penal teve início após denúncia aceita pelo STJ em 2024.
A análise do caso começou em dezembro do ano passado, quando a relatora, ministra Nancy Andrighi, votou pela condenação do então governador em todas as acusações. Ela fixou uma pena de 25 anos e nove meses de prisão em regime fechado, além da perda do cargo.
O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro João Otávio Noronha, que deve apresentar seu voto nesta retomada.
Caso haja condenação por órgão colegiado, Cameli pode se tornar inelegível com base na Lei da Ficha Limpa, o que pode inviabilizar sua candidatura ao Senado nas eleições de 2026.
Decisão do STF influencia julgamento
A retomada ocorre após uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a retirada de provas consideradas ilegais do processo.
Segundo a defesa, o ministro André Mendonça ordenou o desentranhamento de todos os elementos produzidos entre maio de 2020 e janeiro de 2021, além de materiais derivados dessas evidências.
A equipe jurídica sustenta que as provas foram obtidas de forma irregular e que sua exclusão é essencial para garantir o devido processo legal.
“Provas nulas não podem fundamentar qualquer condenação em um Estado Democrático de Direito”, afirmou a defesa em nota.
Investigação e acusações
O caso tem origem na Operação Ptolomeu, deflagrada pela Polícia Federal em 2019, que apura um suposto esquema envolvendo contratos do governo do Acre.
Segundo as investigações, uma empresa contratada pelo Estado teria subcontratado outra ligada ao irmão de Cameli, o que teria gerado favorecimento financeiro e prejuízos aos cofres públicos.
Mesmo após se tornar réu, Cameli permaneceu no cargo até renunciar recentemente para disputar uma vaga no Senado.
Além da possibilidade de prisão, o julgamento pode resultar no bloqueio de bens, pagamento de indenização milionária e manutenção de medidas cautelares já impostas, como a proibição de deixar o país e de manter contato com outros investigados.



