O argentino Daniel Néstor Guzmán, de 40 anos, investigado pelo feminicídio de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, foi preso na Argentina após quase dois meses de buscas. Em entrevista, o delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Paulo Buzolin, explicou como ocorreu a captura, por que o suspeito deve responder pelo crime no país de origem e quais são os próximos passos da investigação.
A prisão ocorreu na noite de 9 de outubro, no terminal rodoviário de Presidencia Roque Sáenz Peña, na província de Chaco. A captura foi realizada pela polícia local, após uma investigação da Polícia Civil do Acre (PCAC), com apoio da Polícia Federal (PF), da Interpol e das autoridades argentinas.
Suspeito deve responder na Argentina
Segundo Buzolin, Guzmán não deve ser extraditado para o Brasil, pois a Argentina normalmente não extradita os próprios cidadãos. Com isso, o investigado deverá responder pelo feminicídio no país de origem, conforme explicou o delegado.
Na Argentina, o homicídio de uma mulher cometido por um homem em contexto de violência de gênero pode ser enquadrado como homicídio agravado, com previsão de prisão perpétua, conforme o artigo 80 do Código Penal argentino. A eventual pena de Guzmán dependerá do processo e da decisão da Justiça argentina.
O delegado afirmou que a investigação ainda não identificou como Guzmán entrou na Argentina. Ele destacou, porém, que a proximidade do Acre com as fronteiras do Peru e da Bolívia facilita a saída do território brasileiro.
“Nós ainda não temos conhecimento de como ele conseguiu ingressar na Argentina, mas aqui no Brasil é muito fácil, aqui no estado do Acre principalmente. Muito fácil você deixar o país rapidamente, tendo em vista a proximidade com a fronteira com o Peru e com a Bolívia. Então, muito provavelmente, logo após praticar o crime, ele deu saída do Brasil”, disse.

Apesar da prisão na Argentina, a investigação conduzida pela Polícia Civil do Acre ainda precisa passar por etapas antes de ser encaminhada ao Poder Judiciário. Segundo Buzolin, o inquérito está próximo da conclusão e depende da finalização de alguns laudos: “O inquérito está prestes a ser relatado, está apenas na conclusão de alguns laudos, mas esses laudos já estão sendo concluídos e, logo em seguida, esse inquérito será remetido ao Poder Judiciário”, afirmou.
Delegado agradece cooperação entre as polícias
Buzolin atribuiu a prisão à atuação conjunta das instituições brasileiras e argentinas. A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Rio Branco, que reuniu elementos para fundamentar o pedido de prisão preventiva, autorizado pela Justiça.
O delegado também destacou a participação da Polícia Federal na articulação internacional que permitiu localizar o investigado e efetivar a captura.

A Polícia Federal atuou por meio do Centro de Cooperação Policial Internacional do Rio de Janeiro (CCPI-RJ) e do Núcleo de Cooperação Internacional do Acre (NCI/AC), em conjunto com a Interpol e as forças de segurança argentinas.
Ver esse post no Instagram
Relembre o caso
Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, foi encontrada morta em 2 de setembro de 2026, no banheiro de um apartamento no bairro Conquista, em Rio Branco. A jovem apresentava um ferimento profundo no pescoço, e os levantamentos policiais indicaram que o crime teria ocorrido dias antes da descoberta do corpo.
Daniel Néstor Guzmán, que mantinha um relacionamento com a vítima, tornou-se o principal investigado. Após o crime, ele deixou o Brasil e passou a ser procurado pelas autoridades. O investigado cumpria pena em regime semiaberto, com monitoramento eletrônico, quando passou a ser investigado pela morte de Maria Ramona.
O caso ganhou atenção também pelo histórico criminal do investigado. Em 2022, ele foi condenado a 24 anos de prisão pelo assassinato de Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses. O crime ocorreu em 2018, em Boa Vista, Roraima.
A Polícia Civil identificou o suspeito e solicitou a prisão preventiva. Com a saída dele do país, foram acionados mecanismos de cooperação internacional, incluindo a notificação vermelha da Interpol, expedida em 24 de setembro. Guzmán foi localizado e preso em 9 de outubro, na província argentina de Chaco.




