Uma professora da Escola Estadual Marilda Gouveia, no bairro João Eduardo, em Rio Branco, denunciou uma ameaça feita por um aluno de 13 anos após um desentendimento em sala de aula. Segundo a Polícia Militar, o estudante afirmou que pegaria uma faca para causar mal à docente. O caso foi registrado nesta segunda-feira (24) e o adolescente foi conduzido à delegacia por ato infracional.
De acordo com a PM, a professora pediu ajuda após o aluno fazer ameaças depois de ser repreendido em sala. A guarnição foi acionada e encaminhou os envolvidos para a delegacia.
O capitão Ricarte informou que a situação começou após um episódio de desrespeito dentro da sala de aula. Segundo ele, o estudante negou ter ficado chateado com a repreensão, mas em seguida fez a ameaça contra a professora.
“Se tratou de uma contenda entre uma professora e um aluno menor de idade, de 13 anos. O aluno desrespeitou a professora na sala de aula. A professora acabou tomando uma conduta de modo a repreender o aluno. O aluno foi questionado se ficou chateado pela professora. No momento em que o aluno disse que não teria ficado chateado, se tivesse ficado chateado, em tom de ameaça, informou à professora que pegaria uma faca e causaria um mal à professora”, contou.
A Polícia Militar informou que o caso não é isolado. Nos últimos dias, outras ameaças em unidades de ensino também foram registradas. Segundo o capitão, alguns estudantes podem estar repetindo comportamentos vistos em episódios recentes de violência escolar registrados no estado.

A ocorrência acontece quase um mês após o ataque no Instituto São José, em Rio Branco, onde duas inspetoras foram mortas a tiros por um adolescente de 13 anos. Dias depois, outro estudante, de 11 anos, foi flagrado com dois simulacros de arma em uma escola estadual da capital.
Diante dos registros, a Polícia Militar informou que intensificou o policiamento preventivo nas escolas estaduais. Além das equipes do policiamento escolar, outras guarnições também passaram a realizar visitas nas unidades de ensino.
“Nós temos um policiamento específico, de policiamento escolar, que está dia e outurnamente nas escolas. Mas, no próprio batalhão, a gente também faz as visitas escolares, as visitas comunitárias. Intensificamos, depois do último acontecimento, da última tragédia na escola, no Instituto São José. Estamos intensificando, dia e outurnamente, orientando as guarnições a fazer patrulhamentos preventivos. Conversamos com diretores, conversamos com alunos, fazendo palestras preventivas em relação a esses crimes”, destacou.
Dados sobre violência escolar no Brasil
Um relatório elaborado pelo Ministério da Educação (MEC), o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram aumento de registros de violência na última década.
Os dados apontam que, desde 2001, registrados 43 ataques de violência extrema contra escolas brasileiras. No total foram168 vítimas, sendo 115 feridos e 53 vítimas fatais. O relatório foi publicado antes do atentado no Instituto São José.

Segundo o relatório, a maior parte das vítimas eram do sexo feminino. Ao considerar a cor ou raça das vítimas, a maioria das vítimas eram eram negras.

A maior parte dos casos notificados foi de violência física (50% do total), seguido de violência psicológica/moral (23,8% dos casos) e violência sexual (23,1% dos casos). Em 35,9% dos casos, o agressor era um amigo ou conhecido da vítima.
O relatório aponta ainda que apenas 21% das escolas possuem seguranças, guardas ou profissionais de segurança patrimonial. Além disso, mais de 62% das escolas declaram não possuir planos e protocolos de resposta a emergências.

O capitão Ricarte defendeu que pais e responsáveis acompanhem a rotina dos filhos e observem os objetos levados para as unidades de ensino.
“As famílias devem educar os seus filhos. Pais e mães sempre estão observando o que os filhos fazem no dia a dia, o que levam para a escola. Fiscalizar as bolsas dos filhos antes de irem para a escola. Ver com quem os filhos estão andando, as companhias. Porque isso hoje em dia é o que vem causando esse mal na sociedade. As famílias, às vezes, com muitas atribuições também, deixam de fiscalizar as suas crianças, de educar. E acaba levando toda essa problemática para o mundo social”, concluiu.
Com informações de Aline Pontes e Gabriela Guedes.



