O futuro da televisão no Brasil estará no centro dos debates da NAB Show 2026, um dos maiores eventos mundiais de mídia, entretenimento e tecnologia. Um dos representantes da delegação brasileira será o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.
A feira será realizada entre os dias 18 e 22 de abril, no Las Vegas Convention Center, nos Estados Unidos, e deve reunir profissionais de todo o mundo para discutir tendências como TV 3.0, inteligência artificial e novas formas de criação e monetização de conteúdo, um cenário que aponta para uma televisão cada vez mais conectada, interativa e próxima do público.
Segundo o ministro, a nova tecnologia promete transformar a experiência do telespectador. “Mais interatividade, aproximando a TV das emissoras e do telespectador”, afirmou.
Em entrevista exclusiva ao R7, Siqueira Filho destacou o protagonismo do Brasil no avanço tecnológico do setor.
“Assim como, no passado, acreditamos na evolução da TV aberta ao migrar do analógico para o digital, agora apostamos, com visão de futuro, que a tecnologia escolhida pelo Brasil terá grande aceitação nas casas das famílias brasileiras. Será uma TV interativa, gratuita, como sempre defendemos, pela força da radiodifusão no país”, disse.

O ministro também ressaltou que o momento é de transformação global. “O mundo vive uma grande revolução digital. O que estamos propondo com essa nova tecnologia, construída com a união do setor produtivo, das emissoras, da academia e do governo, é algo que deve beneficiar milhões de brasileiros”, avaliou.
A expectativa do governo é que as primeiras transmissões com a nova tecnologia comecem ainda no primeiro semestre, inicialmente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. A ideia é que o público já possa acompanhar grandes eventos, como a Copa do Mundo, com a nova experiência da TV aberta. Até o fim do ano, a previsão é de expansão para todos os estados do país.
R7 — Como o ministério avalia o impacto da TV 3.0 no consumo gratuito de conteúdo pelas famílias brasileiras?
Frederico de Siqueira Filho — Assim como lá atrás a gente acreditou na evolução da TV aberta quando migrou do DRAM analógico para o digital, a gente agora está acreditando, com a visão de futuro, que a tecnologia escolhida pelo Brasil terá um sucesso de aceitação na casa das famílias do povo brasileiro. Será uma TV interativa, gratuita — que é o que a gente sempre defendeu e defende, pela força da radiodifusão no Brasil. E a ideia dessa nova tecnologia é promover mais interatividade, aproximar mais a TV das emissoras do telespectador. A nossa expectativa, como Ministério das Comunicações e como governo do Brasil, é muito alta, que a gente vai contribuir muito com o fortalecimento da radiodifusão nesse momento em que o mundo passa por uma grande transformação digital.
R7 — Quais são as próximas etapas práticas para a TV 3.0 chegar de fato às casas dos brasileiros?
Frederico de Siqueira Filho — Assim como aconteceu lá atrás, na transição da TV analógica para a digital, a gente estima que esse processo de transição vai durar em torno de 10 a 15 anos. Primeiro, pelo acesso aos equipamentos receptores, às TVs com essa tecnologia. A própria indústria, no Brasil e no mundo, vai precisar se adaptar em função dessas novas demandas. Em paralelo a isso, a gente está propondo a fabricação de conversores para que os equipamentos atuais existentes no momento inicial possam viabilizar essa tecnologia para a população. Então, são coisas em paralelo, são ações em paralelo que a gente está fazendo, conversando com a indústria brasileira, fazendo agendas também com indústrias fora do Brasil, para que a gente consiga se viabilizar.
R7 — Como o ministério avalia a possibilidade de os brasileiros assistirem TV aberta de forma gratuita em celulares com o 5G Broadcast?
Frederico de Siqueira Filho — Com relação ao 5G Broadcast, é um passo adiante, com visão de futuro, mas a gente precisa que a tecnologia fique mais consolidada para que a gente tome a decisão de fazer esses lançamentos.
R7 — Em relação à NAB 2026, nos Estados Unidos, qual é a importância desta feira para o setor de radiodifusão e qual é o principal objetivo da comitiva brasileira no evento?
Frederico de Siqueira Filho — Esse é o principal evento do setor, e a nossa expectativa é que a nossa comitiva, que está indo junto com alguns parlamentares aqui do Congresso Nacional, mostre e divulgue a iniciativa que o Brasil está fazendo com o lançamento da TV 3.0. Então, a gente vai ter condições de dialogar e fazer apresentações para esse público de vários países que estarão lá, onde o Brasil, mais uma vez, está sendo protagonista com relação a essa inovação. E a nossa expectativa é muito positiva, pois a gente terá condições de fazer esse tipo de divulgação, porque a gente tem a expectativa de divulgar essa tecnologia, de ampliar essa tecnologia para fora do Brasil. Aqui, a gente tem uma grande liderança na América Latina.
R7 — Quais tecnologias da NAB mais chamam a atenção do ministério para o futuro da TV?
Frederico de Siqueira Filho — Além da tecnologia da TV 3.0, que envolve vários aplicativos, várias soluções e serviços digitais dentro da TV aberta, a gente está indo em busca dessas novas atualizações. A gente também está de olho no 5G Broadcast, pensando no futuro, para que a gente consiga acompanhar como o mundo está pensando, planejando, para que a gente também possa, no futuro, ter uma definição de como a gente vai trazer essa tecnologia em benefício da população do Brasil.
R7 — Como o ministério planeja garantir que as novas tecnologias cheguem de forma acessível a todo o país, sem ampliar desigualdades?
Frederico de Siqueira Filho — A gente tem a expectativa de que a gente vai conseguir, sim, ampliar muito mais rápido o acesso a essa tecnologia. Então, hoje, o Brasil, sob a nossa liderança aqui do Ministério das Comunicações, busca cada vez mais fortalecer a infraestrutura digital, fazendo com que mais redes de fibra óptica, de acesso à comunicação de dados, possam atender o Brasil todo, e isso coincide com a necessidade da TV 3.0, que é uma TV interativa, que é uma TV conectada ao mundo digital. E, pela característica e pela inclusão que o Brasil vem trabalhando nesse sentido, a gente tem a expectativa de que essa população também terá acesso. O grande desafio é a acessibilidade, é o preço. Mas, em função da demanda, com certeza, quanto maior a demanda, melhor o custo de acessibilidade.
O ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, aproveitou o momento para convidar o público a embarcar no NAB Show 2026 — uma verdadeira vitrine do futuro, onde inovação, criatividade e tecnologia se encontram para revelar os novos caminhos do rádio e da televisão.



