Após denunciar uma dívida superior a R$ 20 milhões do Governo do Acre com o Hospital Santa Juliana e a Casa de Acolhida Souza Araújo, a Diocese de Rio Branco, durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (23), reafirmou a dificuldade para realizar cirurgias e serviços nas entidades.
Impactos nas cirurgias cardíacas
Durante a coletiva, a entidade afirmou que nenhum serviço foi paralisado até o momento, mas que o hospital enfrenta limitações para manter os procedimentos cardíacos devido à escassez de materiais.
“Até o momento, nenhum serviço está paralisado. As cirurgias cardíacas estão fechadas porque os nossos fornecedores de material não recebem. Portanto, não tem como fazer cirurgias cardíacas”.
O bispo Dom Joaquín Pertíñez rebateu críticas direcionadas à instituição sobre a suspensão dos procedimentos. Segundo ele, a situação é consequência do atraso nos pagamentos previstos nos convênios firmados com o Estado.
“É bom que todo mundo saiba que, se as cirurgias cardíacas que muitas pessoas precisam não estão sendo realizadas, não é culpa do hospital, não é culpa do bispo. É culpa do governo que não repassa, não paga”.
Ele argumentou que os profissionais responsáveis pelas cirurgias deixam de receber pelos serviços prestados e, por isso, os procedimentos acabam sendo interrompidos.
“Eu cheguei a falar ao senhor governador, eu não sei fazer cirurgias cardíacas, o hospital também não sabe fazer. E quem tem que fazer, não recebe, então não faz. Quem quiser fazer de graça, o hospital recebe portas abertas. Agora, quem sabe, e o doutor que faz, não recebe, então…”
Empréstimos para manter serviços
Ainda de acordo com o bispo, a instituição tem recorrido a empréstimos para manter o pagamento de funcionários e outras despesas. Ele afirmou que, em anos anteriores, o Hospital Santa Juliana conseguia auxiliar financeiramente a Casa de Acolhida Souza Araújo durante períodos de atraso nos repasses. Atualmente, porém, as duas instituições enfrentam dificuldades.
“Nós vivemos de empréstimos para poder pagar nossos funcionários e tudo mais. O hospital ajudava financeiramente a Casa de Acolhida Souza Araújo quando o governo atrasava. Mas agora o hospital não tem condições nem de se manter e muito menos de injetar dinheiro na casa”, disse.
A Diocese também voltou a cobrar o cumprimento dos convênios firmados com o Estado. Durante a coletiva, representantes da instituição contestaram a informação de que as pendências estariam restritas a um único mês e afirmaram que os pagamentos previstos nos contratos não vêm sendo realizados dentro dos prazos estabelecidos.
“Existem convênios assinados pelas autoridades competentes e esses convênios não se cumprem devidamente. A situação chegou a um limite. Já vinha se mostrando há vários anos, mas chegamos ao ponto em que não temos mais viabilidade para continuar nossos serviços, tanto no hospital quanto na Casa de Acolhida Souza Araújo”, declarou.
Instituições recorrem a recursos do exterior
Durante a coletiva, ele criticou ainda a necessidade de buscar recursos internacionais para manter a estrutura da Casa de Acolhida Souza Araújo.
“Faz vergonha que qualquer reforma, qualquer compra de veículos ou de instrumentos tenha que ser feita com dinheiro do exterior para manter a Casa Souza Araújo. Atualmente estamos trocando todos os telhados com dinheiro do exterior”, afirmou.



