Os barqueiros responsáveis pelo transporte escolar fluvial em Tarauacá retomaram a greve nesta terça-feira (13) após o descumprimento de um acordo de pagamento firmado com a empresa responsável pelo serviço. A situação voltou a ser denunciada na Assembleia Legislativa do Acre pelo deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB), que acompanha o problema desde o início do ano.
Segundo o parlamentar, os trabalhadores acumulavam meses de salários e aluguéis das embarcações atrasados. Depois de uma paralisação anterior, a empresa Suply Soluções teria se comprometido a quitar três dos quatro meses em aberto e regularizar o restante no início de outubro, além de repor o dinheiro gasto pelos barqueiros com combustível. O compromisso, porém, não teria sido cumprido.

“A empresa, depois de um mês de paralisação, resolve pagar três meses, deixar um dentro e fazer um acordo com eles”, afirmou Edvaldo.
De acordo com o deputado, os barqueiros ainda foram orientados a comprar, com recursos próprios, combustível suficiente para manter as rotas durante 15 dias, sob a promessa de ressarcimento posterior.
“Porque a obrigação do combustível para realizar o transporte escolar é da empresa, conforme o contrato da empresa com a Secretaria de Educação. Pediu aos trabalhadores que comprassem o combustível para 15 dias, com os recursos próprios do salário atrasado, porque no dia 5, após a eleição, eles pagariam o outro mês atrasado e reporiam o recurso do combustível”, disse.
Problema se arrasta há meses
A crise no transporte escolar fluvial de Tarauacá não começou agora. Em agosto, Edvaldo já havia denunciado que parte dos trabalhadores estava há até 11 meses sem receber o aluguel das embarcações e quatro meses sem salário. Naquele momento, cerca de 130 barcos atendiam estudantes da zona rural do município, segundo levantamento apresentado pelo parlamentar.
Ainda em maio, a Aleac registrou requerimento para realização de audiência pública sobre a crise no transporte escolar de Tarauacá, com convite à Secretaria de Estado de Educação, empresas contratadas e representantes dos barqueiros.
Ao longo do ano, a paralisação também provocou períodos prolongados sem aula para estudantes de comunidades rurais e ribeirinhas. Segundo Edvaldo, parte dos alunos já acumulou cerca de três meses de prejuízo no calendário escolar em 2026.
“Tem que se preocupar com a comunidade escolar”
Com o novo rompimento do acordo, Edvaldo voltou a cobrar uma resposta da Secretaria de Estado de Educação e defendeu que o governo avalie medidas mais duras contra as empresas responsáveis.
“Contratos podem ser rompidos com essas empresas, pode haver uma contratação emergencial. Tem que se preocupar com a comunidade escolar, tem que se preocupar com o futuro desses estudantes”, afirmou.
O parlamentar também defendeu que a própria Assembleia Legislativa acione órgãos de controle para acompanhar os contratos e a destinação dos recursos utilizados no transporte escolar.
“A Assembleia, não o deputado Edvaldo Magalhães, precisa acionar os órgãos de controle imediatamente. Isso é um crime contra os estudantes que está sendo cometido à luz do dia e há muito tempo. Os órgãos de fiscalização precisam tomar atitudes”, disse.
Com a paralisação, estudantes de comunidades acessíveis principalmente por rios deixam de ter transporte para chegar às escolas da rede estadual em Tarauacá.

O serviço fluvial é essencial em áreas onde não há acesso regular por estrada. Os contratos preveem a utilização de embarcações com condutor e monitor para transportar os alunos das comunidades até as unidades de ensino.
Até o momento, não há informação de que um novo acordo tenha sido fechado com os barqueiros nem de quando as rotas serão retomadas.
A Secretaria de Estado de Educação ainda não apresentou, nas informações consultadas, uma solução definitiva para o novo impasse.




