A delegada Carla Fabíola, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (Decav), destacou a importância das escolas e da imprensa no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes. Em entrevista ao programa Gazeta Entrevista, a delegada afirmou que, em muitos casos, é no ambiente escolar que as vítimas encontram segurança para relatar os abusos sofridos.
Segundo ela, a maioria dos crimes acontece dentro da própria família ou é praticada por pessoas próximas à vítima, como pais, padrastos, avôs, vizinhos e outros parentes. Por isso, a escola acaba se tornando o principal espaço para que crianças e adolescentes possam pedir ajuda.

“A escola é o ambiente ideal para a denúncia. Os professores e diretores são grandes aliados da Polícia Civil nas investigações, porque muitas vezes é o único local onde a criança consegue falar sobre o que está acontecendo”, explicou.
A delegada citou como exemplo um caso recente investigado pela Decav, no qual uma menina decidiu revelar os abusos após assistir a uma reportagem exibida pela TV Gazeta sobre violência sexual contra crianças e adolescentes. Depois de reconhecer que também era vítima, ela contou a situação a uma colega de escola, que a incentivou a procurar uma professora.
A partir do relato, a direção da escola acionou imediatamente o policiamento escolar e a rede de proteção, permitindo que o caso fosse rapidamente encaminhado à Polícia Civil para investigação.
Para Carla Fabíola, esse episódio demonstra como o jornalismo também exerce um papel importante na prevenção e no combate a esse tipo de crime.
“Foi tanto a parte educativa da imprensa, que ajudou a criança a despertar e criou coragem para falar, quanto a atuação da escola, que foi muito eficiente. Por isso fazemos questão de divulgar esses casos. Muitas vítimas têm medo ou vergonha, mas quando veem outras histórias, percebem que aquilo é um abuso e que precisam denunciar”, afirmou.
A delegada ressaltou ainda que situações semelhantes são frequentes. Segundo ela, diversos casos chegam à Decav a partir de denúncias feitas dentro das escolas, onde professores e diretores identificam sinais de violência ou recebem relatos dos alunos.

Após o acionamento da rede de proteção, a vítima passa por atendimento especializado, incluindo exames periciais, acolhimento psicológico e os procedimentos investigativos conduzidos pela Polícia Civil.
Carla Fabíola reforçou que o trabalho conjunto entre escolas, órgãos de proteção, forças de segurança e imprensa tem sido fundamental para romper o ciclo de silêncio que ainda cerca os casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.
Relembre o caso
A declaração da delegada faz referência a um caso recente investigado pela Decav. Um homem de 67 anos foi preso pela Polícia Civil após ser condenado a 18 anos e 9 meses de prisão pelo crime de estupro de vulnerável.
Segundo as investigações, os abusos ocorreram quando a vítima ainda era criança e só foram descobertos após ela assistir a uma reportagem exibida pela TV Gazeta sobre violência sexual contra crianças e adolescentes. A matéria fez com que a menina reconhecesse que também era vítima de abuso e reunisse coragem para contar o que acontecia a uma colega de escola.
Incentivada pela amiga, a criança procurou uma professora, que acionou imediatamente o policiamento escolar e a rede de proteção. A partir da denúncia, a Polícia Civil iniciou a investigação, que resultou na condenação do acusado. Após o trânsito em julgado do processo, a Justiça expediu o mandado de prisão definitiva, cumprido pela equipe da Decav em Rio Branco.



