Governo nega sobrecarga de trabalho à pediatra em Cruzeiro
Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde negou as acusações de negligência, assédio moral e abandono feitas pelo Sindicato dos Médicos do Acre em relação à gestão da Maternidade do Vale do Juruá.
Basicamente, a denúncia do sindicato se fundamenta em relação à gestão da escala de médicos pediatras. De acordo com o Sindmed, “os gestores sabiam que não existiria pediatra para realizar plantão de domingo para segunda (do dia 22 para o dia 23) desde o dia 11 de dezembro de 2016”.
A médica escalada para o plantão no período, diz o sindicato, está grávida “e correndo o risco de perder o filho”. O Sindmed diz que a médica apresentou atestado informando sobre a situação. “Mas os administradores querem que ela trabalhe e a ameaçam, ameaçam uma mulher grávida, demonstrando assédio moral e um ato desumano”.
A profissional escalada para substituir a pediatra com problemas na gravidez, de acordo com o sindicato, acabou ficando com sobrecarga de trabalho. “Diante deste cenário, por trabalho degradante, o Sindmed irá responsabilizar nominalmente todos os gestores. Para o presidente do Sindicato, Ribamar Costa, a gerência está praticando escravidão moderna, aquela em que a pessoa é colocada para trabalhar sem as mínimas condições dignas, privando o profissional de descanso, de se alimentar, de dormir”.
Governo
O Governo do Acre não nega a dificuldade de apresentar o número de médicos pediatras adequado ao atendimento da população. Reconhece as dificuldade da gestão do problema e pontua o que está sendo feito.
“Em janeiro, excepcionalmente, vivenciamos uma situação atípica, pois um médico ausentou-se para o gozo de suas férias. Desde então, mesmo com o envio semanal de médicos pediatras de Rio Branco para Cruzeiro do Sul, houve dificuldades para fechar a escala, tendo em vista que tais profissionais também cumprem escala na Maternidade de Rio Branco”, diz a Sesacre em nota.
Sobre a questão da sobrecarga de trabalho, a secretaria também rebate a acusação. “Em momento algum, porém, a Sesacre excedeu cargas horárias ou desrespeitou profissionais da Maternidade do Juruá. A Sesacre solicitou apoio, por tratar-se de uma situação atípica”. Segue a íntegra da nota oficial.
GOVERNO DO ESTADO DO ACRE
SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE
NOTA DE ESCLARECIMENTO
É de conhecimento público que o Acre e demais estados da federação enfrentam déficit de profissionais médicos com especialização em Pediatria. Fato comprovado, inclusive, pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
Mesmo com as dificuldades, o governo do Acre atua buscando soluções para a problemática, investindo na residência médica, por exemplo. Contudo, ainda assim, a realidade não se faz diferente do restante do Brasil.
A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) vem trabalhando com transparência sempre, objetivando valorizar seus colaboradores e atender as necessidades da população usuária dos serviços de saúde pública.
Para atender a demanda da Maternidade do Vale do Juruá, mensalmente, deslocamos pediatras e ginecologistas da Capital para auxiliar na cobertura da escala de Cruzeiro do Sul.
Em janeiro, excepcionalmente, vivenciamos uma situação atípica, pois um médico ausentou-se para o gozo de suas férias. Desde então, mesmo com o envio semanal de médicos pediatras de Rio Branco para Cruzeiro do Sul, houve dificuldades para fechar a escala, tendo em vista que tais profissionais também cumprem escala na Maternidade de Rio Branco.
Em momento algum, porém, a Sesacre excedeu cargas horárias ou desrespeitou profissionais da Maternidade do Juruá. A Sesacre solicitou apoio, por tratar-se de uma situação atípica.
Ressalta-se que as profissionais citadas pelo Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed) têm carga horária semanal de 40 horas e se recusam a realizar qualquer hora-extra, fato que foi respeitado.
A Sesacre, então, reorganizou os dias de plantão das profissionais com o intuito de manter a cobertura da escala, sem, no entanto, ferir o que diz a legislação que é o cumprimento máximo de 40 horas semanais.
Mesmo propondo a reorganização da escala, a gerência da unidade foi surpreendida com atestado médico de umas das profissionais.
Destaca-se ainda que em momento algum houve qualquer tipo de ameaça, visto que, a gestão atua respeitando os direitos e deveres do servidor público.
Por fim, ressalta-se que a gerência da unidade está mobilizada para garantir o atendimento à população usuária dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e assegurar a continuidade dos serviços, inclusive com tratativas com os profissionais que atuam naquela maternidade.
Rio Branco, Acre – 23 de janeiro de 2017.



