O ex-prefeito de Rio Branco e atual pré-candidato ao governo do Acre, Tiao Bocalom (PSDB), voltou a comentar a disputa eleitoral de 2010 ao falar sobre o peso do dinheiro nas campanhas políticas.
Durante entrevista, Bocalom afirmou que a falta de estrutura financeira prejudicou sua candidatura na disputa contra o ex-governador Tiao Viana (PT), vencida pelo petista por diferença apertada de votos.
Segundo ele, a campanha enfrentou dificuldades até para manter fiscais nas seções eleitorais.
“Eu não tinha dinheiro nem para dar o lanche do cidadão que estava fiscalizando”, declarou.
Ao comentar o cenário político atual, Bocalom afirmou que recursos financeiros ajudam em uma eleição, mas não são suficientes para garantir vitória.
“Dinheiro ajuda. Ele é importante, mas não é tudo. Ele ajuda, mas não resolve o problema da eleição”, disse.
“Quase perderam só com a sola do sapato”
Durante a entrevista, o pré-candidato também citou uma fala atribuída a Tiao Viana sobre a eleição de 2010.
Segundo Bocalom, o ex-governador teria comentado que venceu a disputa mesmo diante do crescimento inesperado da oposição naquele período.

“Ele disse: ‘Em 2010 eu quase perdi a eleição só com a sola do sapato’. Eles tinham governo do estado, prefeituras, tudo na mão, e quase perderam a eleição”, afirmou.
Bocalom sustenta que a falta de recursos limitou principalmente a fiscalização eleitoral de sua campanha.
“Mais de duas mil seções de votação e o PT tinha fiscal em todas elas. Eu não tinha fiscalização porque não tinha dinheiro”, disse.
Segundo ele, uma estrutura mínima já poderia ter mudado o cenário da disputa.
“Se tivesse uma mixaria a mais, pelo menos para alimentar os fiscais, teria ajudado muito”, declarou.
Campanhas “modestas”
Ao falar sobre a preparação para a eleição de 2026, Tiao Bocalom afirmou que nunca trabalhou com campanhas de grande estrutura financeira.
“Minhas eleições sempre foram muito humildes, muito modestas”, disse.
Ele também comentou o atual modelo de financiamento eleitoral público e afirmou que o partido ao qual está filiado hoje possui menos recursos em comparação a anos anteriores.
“O PSDB já teve uma grande bancada. Hoje o dinheiro é muito pequenininho”, afirmou.
Segundo Bocalom, os recursos partidários devem ser utilizados principalmente em despesas básicas de campanha.
“Vai ajudar a comprar papel, combustível, ajudar alguns cabos eleitorais e os candidatos proporcionais. Mais do que isso, não tem”, declarou.
Disputa de 2010 segue como referência política
A eleição estadual de 2010 ainda é frequentemente lembrada no Acre pelo equilíbrio entre as candidaturas de Tiao Bocalom e Tiao Viana.
Naquele ano, Tião Viana venceu o segundo turno com pouco mais de 50% dos votos válidos, em uma das disputas mais apertadas da política acreana nas últimas décadas.
Desde então, o episódio costuma reaparecer em debates políticos ligados à força das estruturas partidárias, financiamento eleitoral e influência das máquinas públicas durante campanhas.



