Sob forte comoção, os corpos de Raquel Feitosa e Alzenira Pereira foram velados nesta quarta-feira (06), em Rio Branco, após o atentado ocorrido no Instituto São José, na terça-feira (05). As duas funcionárias da escola morreram depois de serem baleadas por um aluno de 13 anos, que utilizou a arma do padrasto durante o ataque. O adolescente atingiu quatro pessoas e se entregou à Polícia Militar após o crime.
Familiares, amigos, alunos e moradores participaram das despedidas das vítimas. O velório de Alzenira Pereira, conhecida como “tia Zena” entre os estudantes, aconteceu em uma residência no bairro Cidade Nova.
A sobrinha de Alzenira, Thayla de Albuquerque, contou que esteve com a tia cerca de 40 minutos antes do atentado. Segundo ela, a rotina daquele dia aconteceu normalmente, sem qualquer sinal do que iria acontecer horas depois.
“Eu estudo de manhã e trabalho à tarde. Eu saio da escola às 12h20. Eu vou para o São José para me almoçar, trocar de roupa e pegar meu Uber para ir para o trabalho. E aí, como todo dia eu cheguei, minha tia me abraçou, me beijou, me deu a bênção. Eu almocei, eu conversei com ela. Ela falou que ia vir para cá para a gente almoçar domingo, dia das mães, que ela não ia mais viajar, que tinha sido cancelado”, contou.
Em seguida, Thayla relatou o momento em que deixou a escola e recebeu a notícia da tragédia.
“Ela ficou comigo até o meu Uber chegar para mim para o trabalho e eu fui trabalhar. Quando eu cheguei no trabalho, me avisaram do que já tinha acontecido.”

A mãe de uma aluna, Suely Gala, afirmou que estava proximo à escola quando ouviu os disparos e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Segundo ela, o primeiro pensamento foi de que se tratava de uma invasão criminosa.
“Eu ouvi o barulho, aí eu pensei, deve ter sido o bandido que invadiu o colégio. Deve ter sido um assalto. E aí eu ouvi o barulho quando ele pulou. E aí eu tentei subir.”
Ela contou que encontrou estudantes feridos e em estado de choque descendo as escadas da escola.
“Nessa hora, já desceram duas crianças. Uma que estava baleada, que era a Manuely, e o outro branquinho. Aí ele falou, tia, tem gente morta lá. A tia Zena está morta, a tia Raquel está morta. E eu falei, está morta? Ele falou, está morta. Aí as crianças desceram em desespero. A única mãe que estava lá era eu.”

Uma estudante que estava na escola durante o ataque relatou os momentos de medo dentro da sala de aula. Segundo ela, os alunos inicialmente tiveram dificuldade para entender o que estava acontecendo.
“Foi desesperador. Na minha cabeça era coisa do meu ouvido, porque eu não estava raciocinando. Eu achei que era coisa da minha cabeça. Aí quando eu vi a professora Jussara falando, é tiro, abaixem. A gente só abaixou e começou a rezar. Eu só peguei meu terço na hora e comecei a rezar, rezar, rezar.”
A aluna também disse que conhecia o adolescente responsável pelo atentado e afirmou que ele não apresentava comportamento agressivo dentro do convívio escolar.
“Foi uma pessoa que a gente não imaginava. Fui do ciclo social dele. Ele era uma pessoa alegre e tudo, tinha tudo na vida. Ele nunca sofreu bullying, nada disso. Se ele sofresse bullying, ia atrás da pessoa que causou o bullying. E não atrás da diretora para atirar nela, matar ela. Isso não faz nenhum sentido”, afirmou.
A Polícia Civil instaurou procedimento para investigar a dinâmica do crime e apurar todas as circunstâncias do atentado. O padrasto do adolescente, dono da arma utilizada no ataque, havia sido preso preventivamente, mas foi liberado posteriormente.
Pedro Buzolin, delegado geral da Polícia Civil do Acre (PMAC), afirmou que a polícia também apura mensagens e publicações feitas nas redes sociais sobre possíveis novos ataques. Segundo ele, todas as informações serão analisadas pelas equipes de investigação.
“A gente pede que a população fique tranquila. Nós iremos trabalhar com muito afinco neste caso tentando exaurir todas as possibilidades da existência, que a gente tem ciência de algumas divulgações. Iremos averiguar todas essas informações que vêm sendo postadas nas redes sociais, de previsão de novos ataques. Essas informações não serão descartadas. Mas a gente afirma que não há nenhum indício que essas informações sejam verdadeiras.”
O delegado também afirmou que policiais irão trabalhar ao longo da semana para verificar se o caso foi isolado.
“Não iremos descartá-las. Nós possuímos pessoas dedicadas que irão trabalhar durante toda essa semana, visando identificar se se tratava de um caso isolado ou não.”

Matéria produzida pelo repórter João Cardoso e editada pelo site Agazeta.net.



