A família de Reginária Bandeira e os parentes do ex-companheiro suspeito do feminicídio da jovem entraram em conflito pela guarda da filha do casal, de 3 anos. A avó paterna pediu a guarda da criança após a morte da jovem.
Segundo o relato do suspeito, o crime aconteceu no dia 25 de julho, em Rio Branco. José Silva dos Santos confessou o feminicídio e indicou à polícia o local onde o corpo de Reginária estava. O corpo dela foi encontrado no dia 27 do mesmo mês.
A disputa pela criança passou a gerar tensão entre os familiares. A família do suspeito afirma que incentivou ele a se entregar à polícia e nega ter ameaçado os parentes de Reginária. De acordo com Maria Santos, cunhada de José, os conflitos começaram após acusações feitas contra a família.
“Em momento algum a família está ameaçando ele, cobrando nada dele, apenas eles ficaram ameaçando minha cunhada, dizendo que ela tinha culpa. Ela não tem culpa de nada. Ninguém tem culpa do que aconteceu. E a verdade tem que ser dita, não tem que ficar mentindo”.

Família da vítima contesta pedido de guarda
A irmã de Reginária, Regiane Silva, afirma que os conflitos não partem da família da vítima. Segundo ela, os parentes de José não demonstraram solidariedade após a morte da jovem e passaram a buscar a guarda da criança antes mesmo do sepultamento.
“A avó paterna entrou com o pedido, a gente não tinha nem enterrado minha irmã. Eles vão tentar de tudo mesmo para poder ficar com a neném, mas é inaceitável que a minha sobrinha fique com uma família tão desestruturada, igual à família daquele homem. E eles vão falar tudo, vão falar que estão sofrendo ameaça, vão falar o que puder.”
Regiane afirma que a família materna permite que os parentes paternos tenham contato com a menina, mas não autoriza que ela seja levada para a casa deles até que a Justiça decida sobre a guarda.
“Mesmo o acusado tendo feito o que fez, eles não nos deram paz, não se mostraram solidários. Sobre a neném, já falei que eles podem ligar, só que para a casa deles ela não vai até o juiz tomar uma decisão”, disse Regiane.
Ela também nega que os familiares da vítima tenham ameaçado os parentes de José. Ela reconhece que houve troca de ofensas nas redes sociais, mas afirma que as manifestações ocorreram em meio à revolta e ao luto pela morte da irmã.
“Essa parte aí das ameaças é mentira, a gente nunca ameaçou eles. A única coisa que a gente falou foi alguns palavrões, que foi em um momento de raiva e de desespero, porque eles nunca nos deram paz, desde que a nossa irmã morreu.”
Ainda de acordo com Regiane, a família também precisou recorrer à Justiça para retirar os pertences de Reginária da casa onde ela morava. Ela afirma que a mãe do acusado não permitiu a entrada dos familiares no imóvel.
“Até ser impedida de entrar na casa para retirar os pertences dela, a gente foi. Foi preciso a gente recorrer na Justiça para poder retirar as coisas dela porquê a mãe dele disse que não queria nenhuma de nós dentro da própria casa da nossa irmã.”
Pedido de guarda tramita na Justiça
Regiane afirma que foi procurada pelo Conselho Tutelar e informada sobre o pedido de guarda apresentado pela avó paterna. Para ela, a solicitação ocorreu antes que a família tivesse tempo para lidar com a morte de Reginária.
“O Conselho Tutelar entrou em contato comigo dizendo que ela tinha entrado com um pedido de guarda, porque eu achei desumano o que eles fizeram com a gente, porque além da gente estar sofrendo, a gente não teve praticamente nem tempo de sofrer o luto da nossa irmã, porque era todo tempo resolvendo as coisas.”
A irmã da vítima também afirma ainda que a família materna já cuidava da criança antes do crime e considera que a menina deve permanecer com os parentes da mãe.
“E eles sabem que a Estela está muito melhor com a gente, que a gente sempre cuidou dela muito bem, diferente deles. E problemas, tensões, é só pela parte deles mesmo, porque quando eles viram a entrevista que a minha irmã deu, eles ficaram revoltados.”
O processo que trata da guarda da criança tramita em segredo de Justiça.
Com informações do repórter João Cardoso e editada pelo site Agazeta.net.




