Antigo gestor não manteve nem os maquinários
O prefeito de Bujari, Romualdo Araújo, começou mal o primeiro dia. Vai ter que trabalhar apenas na parte administrativa. O projeto inicial de limpar a cidade e tapar os buracos nas ruas vai ter que esperar: todas as máquinas e veículos do município estão jogados em pátio precisando de consertos.
Uma retroescavadeira, repassada pelo governo federal há dois anos e com 3.700 quilômetros rodados, está abandonada no pátio da Secretaria de Obras. Está faltando espaço no terreno para colocar tratores, caminhões, caminhonetes e ônibus escolares danificados.
Bujari fica a apenas 25 quilômetros de Rio Branco e, é, de longe, o município modelo de irregularidades e ilegalidades quando se trata de administração pública.
O ex-prefeito, conhecido como Tonheiro (PT), nem pôde entregar o cargo porque está proibido, pela Justiça, de se aproximar do prédio da prefeitura. O ex-gestor ficou dois meses preso, acusado de montar um esquema para desviar recursos da saúde e educação. Segundo o prefeito atual, “Tonheiro levou a falência o município”.
O único veículo do município que está rodando é um caminhão que deveria prestar serviço na área rural. O veículo está fazendo a coleta de lixo, porque o caminhão próprio para o serviço está precisando de peças. “Eu nem consegui descobrir se tem dinheiro em conta, mas, já fui avisado que há dois anos o município não recebe dinheiro para a merenda escolar. Os recursos para pagar o salário dos professores, o Fundeb, pode ser cortado a qualquer momento por falta de prestação de contas”, explicou Araújo.
Bujari tem 60% dos moradores vivendo na área rural. Essas famílias precisam de estrutura para manter-se no campo. Mas todos os veículos estão danificados. Um dos tratores funcionava com os fios e cabos amarrados por corda e sacola plástica. O tanque de combustível furou, para não parar a máquina, improvisaram um tambor apoiado por dois tijolos.
O prefeito Romualdo, disse que pode contratar até 111 cargos comissionados, mas vai nomear apenas 45 porque são servidores essenciais para o funcionamento da administração. E que a ordem é economizar.
Na contramão desse discurso vem uma ação da Câmara de Vereadores da cidade que aprovou em dezembro do ano passado reajustes salariais. A remuneração do prefeito passou de R$ 9 mil para R$ 11 mil, o vice-prefeito vai receber R$ 5,5 mil e cada secretário R$ 4,4 mil e os vereadores R$ 2,2 mil.
Os moradores nem acreditaram quando souberam a manobra dos políticos em beneficio próprio enquanto a cidade carece de tudo. Segundo a dona de casa, aparecida Freitas, “foi uma vergonha para o município esse aumento de salário enquanto a cidade passa por todo tipo de privação.”
O prefeito, que está sem crédito com os fornecedores, garante que se precisar ele corta até o próprio salário. “Eu já disse para os meus secretários: se precisar vou cortar salários. Precisamos fazer o melhor pela cidade, essa é a nossa meta”, garantiu.
Os postos de saúde abriram as portas, mas faltam médicos em Bujari. Uma piscina que deveria receber os jovens e preparar futuros atletas é a vergonha da cidade. O ex-prefeito Tonheiro abandonou, hoje serve como tanque e um adequado abrigo para o mosquito da dengue. As instalações foram destruídas pelos vândalos, assim como o ginásio de esportes que fica ao lado.
A nova gestão informou que fará um levantamento nas contas e bens da prefeitura e vai responsabilizar o ex-prefeito pelos danos ao município. Na verdade será só mais um processo para Tonheiro que deixou sua marca em Bujari.







