O reforço na segurança das escolas da rede estadual após o ataque no Instituto São José reacendeu um debate que já existia desde 2023: a instalação de detectores de metais nas unidades de ensino do Acre.
Em entrevista a TV Gazeta, o secretário de Educação e Cultura do Acre, Reginaldo Prates afirmou que a Secretaria de Educação nunca foi contrária ao uso dos equipamentos e relembrou que, ainda em 2023, recursos específicos foram liberados para ações de segurança nas escolas.

“Nós nunca fomos contra as raquetes, mas compreendemos que é um trabalho a ser melhor desenvolvido direto com agentes de segurança e agentes de portaria, não com profissionais da educação”, declarou.
A fala ocorre em meio ao aumento das medidas de controle em unidades da rede estadual, onde detectores de metal começaram a aparecer na entrada de algumas escolas após o atentado que matou duas servidoras dentro do Instituto São José, em Rio Branco.
Lei previa prazo de 180 dias
O uso obrigatório de detectores de metais em escolas públicas e privadas do Acre foi estabelecido pela Lei nº 4.092, sancionada em abril de 2023 pelo governador Gladson Cameli.
De autoria do deputado Chico Viga, a norma determinava que todas as pessoas passassem pelos equipamentos de detecção ao entrar nas instituições de ensino. Em casos específicos, o texto também autorizava inspeção visual de bolsas e objetos pessoais.
A legislação estabelecia prazo de 180 dias para adequação das unidades após publicação no Diário Oficial. Três anos depois, porém, a implementação ainda não ocorreu de forma integral.
Segundo o secretário, naquele período a pasta disponibilizou recursos através do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) para investimentos em segurança.
“O PDDE foi liberado para a segurança. Alguns diretores fizeram aquisição das raquetes, outros optaram por câmeras de monitoramento. Tudo ligado à área de trazer maior segurança para as escolas”, explicou.
Debate ganhou força após ataque
A discussão voltou a ganhar força depois do ataque ocorrido no Instituto São José, onde um adolescente de 13 anos entrou armado na escola e matou as inspetoras Alzenir Pereira da Silva, de 56 anos, e Raquel Sales Feitosa, de 36. Uma coordenadora e uma estudante também ficaram feridas.

Após o caso, escolas da rede estadual passaram a adotar novos protocolos de entrada, incluindo controle mais rígido de acesso, presença de agentes de portaria e uso de detectores de metal em algumas unidades.
Apesar disso, Reginaldo Prates afirmou que a utilização dos equipamentos exige planejamento e profissionais específicos para a operação.
A preocupação da secretaria, segundo ele, é evitar que a responsabilidade recaia sobre professores e servidores da área pedagógica.
“Esse é um trabalho que precisa ser feito por agentes de segurança. O profissional da educação precisa estar focado no ambiente pedagógico”, disse.
Retorno gradual no Instituto São José
Enquanto outras escolas retomaram as aulas com reforço na segurança, o Instituto São José ainda permanece em processo de reorganização.
Segundo o secretário, por ter sido o local do ataque, a unidade terá um retorno “diferenciado” e gradual, acompanhado por equipes técnicas, psicólogos e profissionais do Ministério da Educação.
“Nós estamos trabalhando para que esse retorno aconteça da forma mais consciente e tranquila possível”, afirmou.
Nos bastidores da rede estadual, o episódio também ampliou a pressão para que as medidas previstas na legislação finalmente saiam do papel de maneira mais ampla e permanente.



