O retorno das aulas na rede estadual após o ataque ocorrido na Escola Instituto São José ainda acontece sob um clima de insegurança entre alunos, professores e famílias. Mesmo com reforço nos protocolos de entrada, instalação de detectores de metal e novas orientações nas unidades de ensino, o medo continua presente dentro das salas de aula.
No Instituto São José, onde ocorreu o ataque, as atividades seguem suspensas e devem voltar de forma gradual, segundo o secretário de Educação e Cultura do Acre, Reginaldo Prates.

De acordo com ele, o retorno vem sendo planejado junto a equipes do Ministério da Educação e profissionais especializados em situações de trauma escolar.
“Nós estamos fazendo um trabalho desde o dia do evento. Houve reuniões com direção, profissionais da educação e agora com os pais, para que efetivamente tenhamos um retorno consciente e da forma mais tranquila possível”, afirmou.
Segundo o secretário, psicólogos, assistentes sociais e equipes de segurança escolar acompanham o processo de retomada. A ideia, segundo ele, é evitar uma volta abrupta diante do impacto causado pelo caso.
“Os traumas vão ficar, isso é natural. Então existem equipes especialistas trabalhando para amenizar esses efeitos e construir um retorno gradual”, disse.
Medo dentro da sala
Enquanto a retomada é organizada pela secretaria, nas escolas que já voltaram às atividades o assunto ainda domina conversas entre estudantes e professores.
A professora Y.K, conta que a notícia do ataque provocou choque imediato.
“Na minha cabeça isso não aconteceria tão perto. Parecia coisa de filme, problema dos Estados Unidos, não daqui”, relata.
Segundo ela, muitos alunos tentam esconder o medo através de piadas, mas o sentimento de insegurança permanece evidente no ambiente escolar.
“Todos admitem estar com medo, mas fazem piadas para esconder isso. Alguns disseram que não querem mais vir para a escola. Outros falam que ‘qualquer um pode entrar aqui e nos atacar’”, afirma.
Ela também relata que parte dos estudantes demonstra revolta e discursos de reação violenta diante da sensação de vulnerabilidade.
“Tem alunos dizendo que vão atrás dessas pessoas, que vão se vingar. Está um clima difícil. Eles não sabem o que fazer e nós também não sabemos muito como lidar.”
Detectores de metal e novos protocolos

Após o ataque, algumas escolas passaram a utilizar detectores de metal na entrada das unidades. A medida já havia sido prevista em legislação anterior, segundo o secretário Reginaldo Prates, mas ganhou reforço nas últimas semanas.
Ele explica que os equipamentos fazem parte de um pacote de segurança que inclui câmeras de monitoramento e reorganização do acesso às escolas.
“Nós nunca fomos contra os detectores. Mas compreendemos que esse trabalho precisa ser desenvolvido por agentes de portaria e segurança, não por professores”, disse.
Além das revistas na entrada, escolas passaram a limitar horários de atendimento para responsáveis e controlar com mais rigor a circulação de pessoas dentro das unidades.
Para a professora, porém, as mudanças ainda são insuficientes diante do sentimento deixado pelo ataque.
“A maioria das escolas implementou detector de metal, mas isso é o máximo que tivemos em questão de estrutura até agora”, afirma.
Ela diz ainda que os professores receberam orientações preventivas, mas ainda não sabem exatamente como agir caso uma situação semelhante aconteça novamente.
“Recebemos protocolos de prevenção e segurança, mas nada muito claro sobre o que fazer se realmente acontecer uma emergência.”
Retorno marcado por adaptação
Segundo a Secretaria de Educação, o foco neste momento está em fortalecer ações de acolhimento e ampliar a capacidade das escolas de identificar comportamentos considerados de risco.
O secretário afirma que profissionais da educação passarão por treinamentos mais intensos para reconhecer sinais de alerta e encaminhar situações ao Observatório de Segurança Escolar.
“É um trabalho que já existia, mas agora será mais acentuado. Tudo dentro de protocolos e planejamento técnico”, explicou.
Enquanto isso, o retorno à rotina segue acompanhado por um sentimento ainda difícil de dissipar. Em muitas escolas, a presença de agentes na entrada e detectores de metal alterou a paisagem cotidiana, mas ainda não foi suficiente para devolver completamente a sensação de segurança.



