Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) iniciam, nesta sexta-feira (10), uma greve para cobrar um posicionamento da reitoria diante da crise no transporte coletivo de Rio Branco. A mobilização foi convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) após o retorno das aulas presenciais, mesmo com parte dos alunos enfrentando dificuldades para chegar ao campus.
A paralisação acontece após a Justiça determinar, em 30 de junho, o bloqueio de 50 ônibus da empresa Ricco durante o cumprimento de uma decisão judicial envolvendo outra empresa. Em razão da redução da frota, a Ufac suspendeu as aulas entre os dias 30 de junho e 3 de julho. As atividades foram retomadas na segunda-feira (6), embora o sistema de transporte ainda opere de forma parcial.
Nos materiais divulgados nas redes sociais, os centros acadêmicos da universidade afirmam que a greve busca cobrar medidas da universidade para reduzir os impactos enfrentados pelos estudantes que dependem do transporte público.
Em nota, o movimento “Para Tudo RB” afirma que o transporte coletivo deve ser tratado como um direito da população e relaciona o problema ao acesso à educação.
“O acesso ao transporte público não pode depender da boa vontade de gestores ou de interesses econômicos. Ele é um direito social e uma responsabilidade do poder público garantir um serviço digno, acessível, seguro e eficiente para toda a população. Todos os dias, milhares de trabalhadores, estudantes, idosos e pessoas com deficiência enfrentam atrasos, superlotação, falta de linhas ou um sistema que desrespeita quem mais precisa dele. Essa realidade não pode ser naturalizada”.
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Em outra manifestação, a Associação Atlética Acadêmica Kodama afirma que a falta de transporte impede o acesso dos estudantes à universidade e defende uma resposta da administração da instituição.
“A educação pública precisa ser acessível em todos os sentidos. De nada adianta abrir as portas da universidade se o caminho até ela foi fechado. Diante dessa situação, cobramos um posicionamento público da Reitoria e das demais reitorias das instituições de ensino superior do Acre. O silêncio diante de uma crise que afeta diretamente a comunidade acadêmica não representa os interesses dos estudantes”.
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O Centro Acadêmico de Sistemas De Informação (Casi) também declarou apoio à paralisação e convocou estudantes para aderirem ao movimento.
“O Casi declara apoio à greve estudantil deflagrada hoje (09/jul) e convoca todos os estudantes de Sistemas de Informação a se somarem a esta causa. Não estamos contra o corpo docente, mas em defesa de um transporte público que garanta a todos a possibilidade de concluir sua formação com dignidade. Sem transporte, não há ensino”.
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O presidente do Centro Acadêmico de Jornalismo Elson Martins (Caem), Joás Linhares, afirma que a principal preocupação é a situação enfrentada pelos estudantes que dependem do transporte coletivo para frequentar as aulas.
“Chegou a ter um posicionamento da Prograd suspendendo as aulas dois dias, mas entendemos que é paliativo. O problema tem uma dimensão maior e a universidade deve, com certeza, ser mais eficaz em defender a sua comunidade acadêmica. Cobrar da prefeitura, que é quem administra o município, mas os estudantes não merecem pagar essa conta”, afirmou.
Linhares conta que muitos alunos enfrentam longos deslocamentos e incertezas para chegar ao campus e voltar para casa.
“Diariamente nós estamos sendo afetados por essa crise. Tem estudante que demora 4 horas para chegar à universidade sem saber se vai conseguir voltar, visto que a linha que entra no campus mal funciona. Após as 21h ele só passa de novo depois das 22h, então é muito complicado para quem depende do transporte viver nesse tipo de incerteza.
O presidente afirma que a principal preocupação é a permanência das aulas enquanto parte dos alunos não consegue chegar ao campus. Segundo ele, além da incerteza sobre faltas, há receio de que professores não apoiem a mobilização.
“A greve foi deflagrada ontem em assembleia, então, na prática, nós podemos prever a falta de apoio à iniciativa por parte dos professores, que podem não auxiliar e acabar penalizando quem não comparecer, mesmo sabendo que muitos alunos moram em áreas em que os ônibus nem estão passando. Então, penso que o que mais afeta os estudantes mesmo é a falta de compromisso da prefeitura com a gente. Isso, sim, é grave”.
Na última atualização sobre a frota, nesta segunda-feira (6), a RBTrans afirmou que apenas 39 ônibus operam em 32 das 47 linhas da capital. O município passa por um período de transição no transporte coletivo no qual a empresa JTP Transportes se prepara para assumir a operação do sistema em Rio Branco.




