As lhamas e alpacas apreendidas após uma fuga na fiscalização do posto Tucandeira, na divisa entre Acre e Rondônia, seguem sob cuidados provisórios enquanto a Polícia Federal investiga o caso. Dos 43 animais transportados irregularmente, três morreram após o resgate, segundo informações confirmadas pelas autoridades.
A atualização do caso foi divulgada nesta semana e revelou que os animais estão sendo acolhidos em uma propriedade rural em Porto Acre, ligada a pessoas próximas da ONG Patinha Carente, responsável pelo acompanhamento e cuidado das espécies apreendidas.
Segundo a Polícia Federal, um inquérito foi instaurado para apurar a origem dos animais, o destino final da carga e quais seriam os objetivos do transporte irregular. A investigação também deve definir se os animais retornarão ao país de origem, permanecerão no Brasil ou poderão ser destinados à adoção.
O motorista do caminhão e outro homem que acompanhava o transporte chegaram a ser conduzidos à Polícia Federal, mas foram liberados após os procedimentos iniciais.
A presidente da ONG Patinha Carente, Vanessa Facundes, afirmou que os animais chegaram em estado de extremo desgaste físico.
“Esses animais foram apreendidos e estavam em situação de cansaço extremo. Quando foram retirados do caminhão, três deles não resistiram por isso”, relatou.
Segundo Vanessa, as lhamas vinham de forma irregular da região andina e não possuíam autorização para entrada no território brasileiro.
“Eram 44 animais vindos de contrabando do Peru. Não estavam com regulamentação adequada e a Polícia Federal nos procurou para destinar esses animais a um lugar digno”, afirmou.
Ela também explicou que havia recomendação para o abate dos animais, mas a ONG defendeu que eles fossem preservados.
“A recomendação do Idaf era o abate, mas acreditamos que esses animais merecem estar vivos e serem cuidados”, disse.
Ainda de acordo com a presidente da ONG, existe preocupação sobre a finalidade da carga apreendida. A suspeita é de que os animais seriam levados para Rondônia, mas ainda não há confirmação se seriam vendidos como pets ou destinados ao consumo da carne.
“A gente não sabe qual seria o destino final. Ficamos preocupados com essa situação de animais sendo retirados de seus habitats para serem explorados”, destacou.
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Entenda o caso
O caso teve início na noite da última quarta-feira (20), quando equipes da Receita Estadual tentaram fiscalizar um caminhão boiadeiro no posto Tucandeira. O motorista fugiu sem apresentar documentação da carga, dando início a uma perseguição policial.
A Polícia Militar interceptou o veículo próximo à divisa com Rondônia e constatou que os animais eram espécies exóticas, sem autorização ambiental ou sanitária para ingresso no país.
Segundo o major Randson Oliveira, da PMAC, além do risco ambiental, os animais também poderiam representar ameaça sanitária por não terem passado por inspeções obrigatórias.
“Eles não passaram por nenhum tipo de inspeção fitossanitária e podem colocar em risco outras espécies e até a saúde humana”, explicou.
Os envolvidos respondem por introdução irregular de espécie exótica em território nacional, crime previsto na Lei de Crimes Ambientais.
Enquanto o inquérito segue em andamento, os animais permanecem recebendo alimentação, acompanhamento veterinário e cuidados especiais até que a Justiça defina qual será o destino definitivo deles.



