A promotora de Justiça Marcela Cristina Ozório detalhou como influenciadoras investigadas pela Operação Jackpot atuavam na divulgação de jogos ilegais no Acre. Segundo o Ministério Público, as investigadas usavam redes sociais para promover plataformas de apostas online e rifas, além de praticarem manobras para ocultar a origem do dinheiro obtido com as divulgações. O processo corre em segredo de justiça.
Ozório afirmou que a denúncia surgiu a partir das investigações feitas pela Delegacia Especializada Fazendária, que identificou a atuação das influenciadoras na divulgação de jogos considerados ilegais.
“Esse é um desdobramento da Operação Jackpot, da Polícia Civil, conduzida pelo delegado da Delegacia Especializada Fazendária, de crimes fazendários, e ele investigou crimes de jogo de azar, condutas criminosas de jogo de azar, previsto no artigo 50 da Lei de Contravenções Penais, organização criminosa e lavagem de dinheiro.”
A promotora afirmou que as investigadas utilizavam perfis com muitos seguidores para ampliar o alcance das plataformas e rifas divulgadas nas redes sociais.
“A conduta se iniciou a partir da divulgação. As influenciadoras utilizavam as suas redes sociais, que são de grande alcance, ou seja, têm muitos seguidores, e faziam a divulgação desses jogos, sejam rifas, num dos casos, rifas de comemoração de final de ano, rifas que envolviam prêmios, e também a divulgação desses jogos online.”

“A partir do valor que elas obtinham nessas condutas, elas praticavam manobras de mascaramento da origem ilícita desse valor, e aí, com essas manobras, davam aparência de licitude aos recursos que eram obtidos com a prática desses crimes. Por isso é que foram denunciadas pela prática de lavagem de dinheiro.”
O Ministério Público informou que as plataformas investigadas funcionavam de forma ilegal no Brasil. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou que cerca de 40% das plataformas de apostas online em funcionamento no país são ilegais.
A promotora também afirmou que, por causa do segredo de justiça, o Ministério Público não pode divulgar detalhes sobre as investigadas nem sobre possíveis vítimas dos jogos ilegais.
“Por causa do sigilo, não há detalhes sobre possíveis vítimas. A gente não recebeu aqui, diretamente, pessoas fazendo a denúncia, nesses dois casos, até porque a gente não consegue divulgar, em razão de segredo de justiça, o nome das influenciadoras que praticaram essas condutas. Mas todas as vítimas desses jogos ilegais têm direito de entrar com a ação, buscando a restituição do valor que perderam.”



