A ação penal envolvendo 12 investigados no caso Murano, um dos desdobramentos da Operação Ptolomeu, ainda não teve denúncia apresentada pelo Ministério Público do Acre, mais de dois anos após o envio do processo para o estado. Entre os citados estão familiares do ex-governador do Acre, Gladson Cameli, além de ex-gestores, servidores públicos e empresários apontados nas investigações sobre desvios de recursos públicos.
No início de maio deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou Gladson a 25 anos e 9 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e ativa, peculato, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações. A decisão também determinou o pagamento de multa e indenização de R$ 11,7 milhões ao Estado.
O julgamento faz parte do primeiro dos oito processos originados pela Operação Ptolomeu. A investigação recebeu o nome de caso Murano em referência à empresa contratada para executar obras de recuperação de prédios públicos. Segundo a apuração, a empresa funcionava como fachada e teria sido utilizada para desvio de recursos.
De acordo com o processo, a Murano movimentou R$ 18 milhões. Desse total, cerca de R$ 11 milhões teriam sido obtidos por meio de superfaturamento e sobrepreço em contratos.
Além do ex-governador, outras 12 pessoas foram denunciadas nas investigações. Entre elas estão a ex-esposa Ana Paula Corrêa Silva Cameli, o irmão Gledsson de Lima Cameli, o pai Eládio Cameli, o ex-secretário de Obras Tiago Caetano, servidores que participaram dos processos licitatórios e dos pagamentos, além dos empresários Gabriel Lártia de Araújo e Souza e Hudson Marcelo Amaral de Souza, proprietários da Murano.
Como possuía foro privilegiado na época dos fatos, Gladsson de Lima Cameli foi julgado pelo STJ. Os demais investigados devem responder ao processo em primeira instância.
A petição referente aos 12 envolvidos foi encaminhada pelo Superior Tribunal de Justiça à Justiça Federal do Acre em dezembro de 2023. Posteriormente, o processo foi remetido ao Tribunal de Justiça do Acre e, em seguida, ao Ministério Público Estadual.
Apesar da tramitação, até o momento não há denúncia formal apresentada contra os investigados nem previsão para o andamento da ação. O Ministério Público informou que o processo foi recebido pela instituição, mas ainda não chegou à promotoria responsável, especializada na defesa do patrimônio público e fiscalização das fundações e entidades de interesse social.
A demora chama atenção porque outro processo originado da Operação Ptolomeu já teve andamento no STJ. A segunda ação derivada da investigação foi recebida pela ministra Nancy Andrighi, relatora dos casos na Corte.
Enquanto isso, o processo relacionado aos demais investigados do caso Murano permanece sem movimentação significativa no Acre.
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Matéria produzida por Adailson Oliveira e editada pelo site Agazeta.net.



