A Universidade Federal do Acre (Ufac) divulgou, nesta quinta-feira (15), uma nota de repúdio às declarações do presidente estadual do PL, João Paulo Bittar, que chamou estudantes da instituição de “vagabundos” em um vídeo publicado durante uma atividade política em Rio Branco.
O posicionamento é assinado em conjunto pela Ufac, Associação dos Docentes da Ufac (Adufac), Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau do Acre (Sintest-AC) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). As entidades classificaram a fala como ofensiva à comunidade acadêmica e cobraram uma retratação pública e integral.
João Paulo, filho do senador Márcio Bittar (PL), fez a declaração na noite de quarta-feira (14), durante um ato de apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele se dirigiu ao “pessoal da Ufac” e afirmou que eles seriam “um bando de vagabundo”.

“Essa declaração é inaceitável, mentirosa e ofensiva. Ataca não apenas estudantes, mas toda a comunidade acadêmica que constrói diariamente, com trabalho e pesquisa, a universidade do Acre”, diz a nota.
Universidade critica generalização
No documento, as entidades afirmam que a fala atinge estudantes, professores, técnicos e pesquisadores da instituição.
A nota destaca ainda a diversidade do público atendido pela universidade, citando estudantes indígenas, ribeirinhos, moradores das periferias de Rio Branco e do interior do estado, além daqueles que dependem do transporte público, do Restaurante Universitário e de bolsas de permanência para continuar os estudos.
“Quem chama universitários de vagabundos desconhece — ou finge desconhecer — a realidade da Ufac”, afirma outro trecho do posicionamento.
A manifestação também relaciona o episódio a uma tentativa de deslegitimar a universidade pública. Para as entidades, o termo utilizado por João Paulo não deve ser tratado como um comentário isolado.
“O termo ‘vagabundo’ não é um descuido. É parte de um projeto político que busca deslegitimar a universidade pública para justificar seu desmonte, o corte de verbas e a privatização”, diz a nota.
João Paulo disse ter exagerado, mas manteve crítica
Após a repercussão do primeiro vídeo, João Paulo publicou uma nova gravação na qual reconheceu ter exagerado ao dar a entender que estava se referindo a todos os estudantes da Ufac.
No mesmo vídeo, porém, ele manteve a crítica contra alunos envolvidos em militância e voltou a usar o termo “vagabundos” ao se referir a esse grupo.
A Ufac e as entidades signatárias também reagiram a essa segunda manifestação. Na nota, afirmam que, em vez de representar uma retratação, a nova gravação teria aprofundado a ofensa ao direcioná-la especificamente aos estudantes envolvidos em organizações estudantis.
“O DCE não é composto por vagabundos. É uma entidade com mais de meio século de existência e resistência em defesa da universidade pública e gratuita; é a legítima representação dos estudantes da Ufac”, diz o texto.
A nota também defende o direito de organização dos estudantes em entidades como o DCE, centros acadêmicos e atléticas.
Entidades exigem retratação
Ao final do posicionamento, Ufac, Adufac, Sintest-AC e DCE afirmam que não aceitarão que a universidade e suas entidades representativas sejam transformadas em alvo de ataques durante o período eleitoral.
“Exigimos retratação pública e integral e reafirmamos, neste 15/10, Dia das Professoras e dos Professores, nossa solidariedade irrestrita às estudantes, aos estudantes e a toda a comunidade acadêmica da Ufac”, conclui a nota.
João Paulo Bittar disputou uma vaga de deputado federal pelo PL nas eleições deste ano, recebeu 13.440 votos e ficou na suplência. Atualmente, preside o partido no Acre.
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